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    Jaraguá do Sul

    Após episódio com Miriam Leitão, Feira do Livro vai debater ódio na internet

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    18/07/2019 - 11h23 - Atualizada em: 18/07/2019 - 16h00
    Miriam Leitão (Foto: Reprodução)
    Miriam Leitão (Foto: Reprodução)

    O coordenador artístico da 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul, Carlos Schroeder, confirmou nesta quinta-feira (18) que pretende incluir na programação do evento um debate sobre manifestações de ódio na internet. Ameaças de tumulto e de agressão contra Míriam Leitão, que era uma das convidadas para o evento, levaram a organização a cancelar a participação da jornalista e de seu marido, o sociólogo Sérgio Abranches. A Feira ocorre de 8 a 18 de agosto.

    — Precisamos refletir e discutir o que aconteceu aqui - disse Schroeder.

    A decisão de cancelar a vinda de Míriam e Abranches, não foi unânimes e rendeu críticas à direção da Feira do Livro. Em nota, a organização informou que "por causa da característica truculenta, intimidadora e ameaçadora de mensagens recebidas, decidimos cancelar parte da programação para proteger a integridade física dos convidados e o bem estar do público".

    Além de mensagens nas redes sociais, houve uma petição online pedindo que Míriam Leitão fosse cortada da programação do evento. O abaixo-assinado tem 3,5 mil assinaturas virtuais.

    O assunto esteve entre os mais comentados do Twitter na quarta-feira (17), e mereceu comentários de anônimos e famosos. Do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao jornalista Glen Greenwald, que lembrou o episódio recente em que também foi alvo de protestos ao participar da Feira da Literatura Internacional de Paraty (RJ).

    Assunto repercute no país

    A mesa de debates da qual Miriam e Abranches, que é seu marido, participariam, tinha como tema “Biblioteca Afetiva” e deveria ocorrer no dia 15 de agosto. Em pauta, a formação do casal como escritores, jornalistas e consumidores de obras literárias.

    Miriam e Abranches comentaram o caso em uma nota à NSC Comunicação: "Isso vai além de nós. A intolerância está se tornando ameaçadora à liberdade de expressão, que é a base da democracia. Falaríamos do amor aos livros e, por isso, ficamos encantados com o convite. A nossa certeza é de que o livro sempre vence. Ao longo da História venceu as fogueiras, as proibições e a censura. E vai triunfar de novo”.

    Mais cedo, durante o Jornal da CBN, onde é comentarista, Miriam recebeu manifestação de solidariedade do apresentador Milton Jung e agradeceu o apoio.

    — A gente nem iria falar de assuntos polêmicos, e sim sobre o que nos levou aos livros, o que nos transformou leitores e escritores, os livros que escrevemos, amamos e que nos aproximam. O assunto era "biblioteca afetiva". Estávamos entusiasmados com a ideia de falar (sobre o tema) porque seria muito bom isso. Mas, aí, a intolerância venceu desta vez. Você sabe, o livro sempre foi tratado como uma ameaça, né? Principalmente contra mentes autoritárias — declarou a jornalista na Rádio CBN.

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