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Para evitar colapso

Balneário Camboriú avalia dessalinização da água do mar

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Dagmara
Por Dagmara Spautz
14/10/2019 - 17h30 - Atualizada em: 14/10/2019 - 22h25
Praia Central de Balneário Camboriú (foto: Marcos Porto, Arquivo NSC)
Praia Central de Balneário Camboriú (foto: Marcos Porto, Arquivo NSC)

A situação do Rio Camboriú, que voltou a preocupar desde o fim de semana, quando o nível da água na captação ficou abaixo de um metro, acende o alerta para a urgência na busca de alternativas para o modelo atual. A Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) tem uma série de propostas para evitar um colapso na água que abastece os mais de 220 mil habitantes de Camboriú e Balneário Camboriú. Os estudos incluem a possibilidade de dessalinização da água do mar, transformada em água potável.

O sistema, que há poucos anos era inimaginável em larga escala no Brasil, já está em fase de instalação em Fortaleza (CE). A empresa que fez o projeto cearense usa tecnologia desenvolvida em Israel, e já prospectou o uso do modelo em Balneário Camboriú. Mas a análise preliminar da instalação assustou devido ao custo, estimado em R$ 250 milhões.

A dessalinização também teria um impacto importante sobre o preço da conta de água para o consumidor. A estimativa é que o custo do metro cúbico saltaria dos atuais R$ 1,97 para R$ 5, devido ao aumento no custo da energia elétrica demandado pelo sistema. A tarifa passaria a custar mais que o dobro – o que fez a Emasa suspender o projeto. Pelo menos por enquanto.

O diretor da autarquia, Douglas Beber, disse que a empresa avaliou os custos considerando que ainda há outras alternativas a serem exploradas por aqui. Diferente do caso de Fortaleza onde, segundo ele, o alto preço compensa.

A dessalinização, no entanto, não está totalmente descartada. A expectativa é que o desenvolvimento de novas tecnologias, como a operação por energia solar, barateiem o custo em um futuro próximo.

Captação de água no Rio Camboriú
Captação de água no Rio Camboriú
(Foto: )

Esgoto

Outra proposta inusitada é o reaproveitamento da água que sobra após o tratamento do esgoto. Hoje o esgoto tratado é lançado de volta ao rio após a captação. A ideia é inverter o processo, e reforçar a captação com essa água. O custo é estimado em R$ 110 milhões, considerando a ampliação da estação de tratamento de esgoto (ETE), que passará de 700 para 1300 litros tratados por segundo.

Parque inundável

A alternativa avaliada como a mais viável para o abastecimento de água hoje, pela Emasa, é o Parque Inundável – alvo de polêmica na Câmara de Vereadores de Camboriú, onde um projeto quer cancelar o decreto do prefeito Elcio Kuhnen (MDB) que declarou 600 hectares de arrozais como áreas de interesse público. Ocorre que o parque, que será uma pequena barragem, vai inundar dois terços da produção de arroz da cidade.

Enchentes

A Emasa investiu R$ 1,3 milhão no projeto do parque, que além de reter água suficiente para manter as duas cidades abastecidas por 30 dias, em caso de forte estiagem, será capaz de segurar a água da chuva e evitar a inundação das áreas ribeirinhas de Camboriú e Balneário Camboriú. O projeto está em fase de licenciamento junto ao Instituto do Meio Ambiente (IMA). A expectativa é que implantação demore até seis anos, e custe R$ 146 milhões.

Itajaí-Mirim

A ideia de captar água no Rio Itajaí-Mirim, em Itajaí, para abastecer Camboriú e Balneário Camboriú, que foi apontada recentemente como uma alternativa viável ao colapso de abastecimento, também tem suas ressalvas. A instalação do sistema custará entre R$ 40 e 50 milhões, mas o custo de operação, contando as bombas e a energia elétrica, é considerado elevado. Chega a R$ 5 milhões por ano.

Manobras

No fim de semana foram necessárias manobras de rede para manter cheios os reservatórios e água da Emasa. A chuva da madrugada de segunda-feira ajudou, e foi suficiente para estabilizar temporariamente o sistema. Mas a atenção segue nos desvios irregulares para a rizicultura. A estimativa é que o plantio de arroz absorva 1900 litros de água do Rio Camboriú por segundo – é três vezes mais do que o volume captado para atender à população.

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