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    Carpegiani em SC: "O grande mérito da formação do time do Flamengo é a torcida"

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    05/12/2019 - 17h41 - Atualizada em: 05/12/2019 - 18h54
    Paulo César Carpegiani (foto: Fabiano Correia)
    Paulo César Carpegiani (foto: Fabiano Correia)

    Técnico que levou o Flamengo a conquistar o primeiro Mundial – e o mais jovem, até hoje, a levar uma equipe ao título – Paulo Cesar Carpegiani é um catarinense honorário. Gaúcho de Erechim, ele passa parte do ano no apartamento que mantém em Balneário Camboriú. Foi onde concedeu esta entrevista, em que fala do futebol catarinense, do fenômeno rubro-negro, e garante: o Flamengo de 2019 tem chance de fazer história como o de 1981.

    ENTREVISTA: Paulo César Carpegiani

    Qual é a sua relação com Balneário Camboriú, e Santa Catarina?

    Eu tenho apartamento aqui (em Balneário Camboriú) desde 1997, quando estava no São Paulo. Acho que o catarinense é um privilegiado. Nós gaúchos tentamos um pouquinho, junto com vocês, participação nessa terra maravilhosa, nesse estado maravilhoso. O clima, as praias, que são fantásticas. No Brasil não deve ter coisa melhor.

    Passa muito tempo em Balneário Camboriú?

    Estamos um pouco em cada canto. Porto Alegre, Rio de Janeiro. Mas a gente para bastante tempo aqui. Como meus netos, a família toda está em Porto Alegre, isso influi para que a gente permaneça um pouco mais de tempo no Sul.

    Onde vai assistir os jogos do Mundial?

    Na final da Libertadores, fui convidado por uma emissora de televisão. Mas gosto de ver só. Não só os gols, gosto de ver o confronto. Por que um está superando o outro, em que momento, a qualidade individual, a técnica. Gosto de ser mais reservado para isso. Não tenho um lugar, mas prefiro ver com minha família, com pouca gente.

    Quero assistir (o Mundial) sozinho para admirar, porque vai ser um confronto espetacular.

    Que comparação faria entre o Flamengo de 1981 e o Flamengo de 2019?

    É difícil fazer esse tipo de comparação. Posso falar da minha equipe, com a (equipe) atual eu não convivo. Tem três jogadores oriundos do ano passado, que é o goleiro (Diego Alves), o (William) Arão, que estava machucado quando assumi, e o Everton Ribeiro. Na minha equipe (de 1981), em cada posição eu tinha um grande jogador. Um craque. Era uma equipe altamente técnica, formada pela base do Flamengo. Tinha sete jogadores da base. Demorei para formar essa equipe uns dois, três meses. Quando assumi, em maio, junho, até o jogo que caracterizou, e que está nos livros, em que pela primeira vez eu botei todos eles juntos, contra o Botafogo.

    Nós vencemos por 6 a 0 no Maracanã. A partir daí, aquele time, que venceu aquele jogo, é o que está na história. Que venceu a Libertadores, venceu o Mundial, o Campeonato Brasileiro do ano seguinte. Com relação a esse time (de 2019), o que posso dizer é que foi um somatório de coisas. Jesus também teve um pouco de dificuldade no começo. A lesão do Diego (Ribas), teve que contornar isso, teve a inclusão de alguns jogadores que chegaram um pouco depois. Mas tem muito mérito o Jesus na maneira como joga, seu fechamento, a imposição de jogar, de ganhar os jogos, bastante semelhante com a nossa.

    Porque nós jogávamos em função do gol. E esta equipe tem esse mesmo (perfil). Aliás, não é mérito nem de agora, nem de antigamente. Esse é o mérito da torcida. A torcida exige que assim seja.

    No Flamengo ninguém à frente de uma comissão técnica, treinadores, vai conseguir segurar o time, ou formar um time defensivo. Na história do Flamengo, não dura um mês.

    A torcida não quer. Se tem um time no Flamengo que não tem grande qualidade, e eu já participei de times diferentes desse de outrora e de agora, a torcida nos empurrava para cima do adversário. Tivesse ou não tivesse qualidade, condição, ela exigia, a gente tinha obrigação de ganhar.

    O grande mérito da formação do time do Flamengo é a torcida. E esse respeito tem que se ter.

    Essa direção que aí está teve o grande mérito de contratar os jogadores, foi muito feliz nas contratações. Não digo casualidade de formar um grande time e ganhar, porque hoje o Flamengo está bem acima de todas as demais equipes. Vejo o Atlético, e (depois) vejo Grêmio, Santos, Palmeiras, abaixo. A direção teve grande mérito, o treinador, porque no futebol não existem acasos. Só ganha quando merece. Pode ganhar um jogo ou outro, mas os títulos, (uma equipe) só ganha com merecimento.

    Entrevista com Paulo César Carpegiani
    Entrevista com Paulo César Carpegiani
    (Foto: )

    Vencer o Liverpool numa eventual final de Mundial, repetindo o feito de 1981, é um sonho impossível?

    Eu acho que (o Flamengo) tem qualidade. São duas grandes equipes, o Flamengo tem jogadores definidores. Oxalá a gente não sofra tanto como na Libertadores. Vamos enfrentar um futebol...

    Eu acho o futebol do Liverpool um pouco soberbo. É o futebol mais milionário do mundo, e sempre tem um pouco de soberba.

    E isso poderá ser fatal. Estou torcendo para que realmente ocorra isso e consigamos imprimir nosso ritmo, jogar, vencer e sermos bicampeões mundiais.

    Jorge Jesus falou em uma entrevista coletiva que a torcida não precisava mais cantar 1981. Concordas?

    Na medida em que esse time será campeão mundial, fatalmente estará lembrando o de 1981. Jamais vai ser esquecido o título. Faz 38 anos, aquelas pessoas que foram campeãs mundiais já tinham uma certa idade, tem essa mudança em função do surgimento de uma nova torcida. Mas não desmerece, muito pelo contrário. Acho que há espaço, estamos na história não só do Flamengo mas do futebol brasileiro.

    Esse time terá possibilidade de fazer o seu hino historicamente e colocar do lado. E aí sim, poderá fazer as comparações, como queira.

    Tem um grande time sendo formado agora, e que já é uma realidade, e outro que teve sua história contada em prosa e verso.

    Que avaliação faz hoje do futebol em SC?

    As dificuldades que se tem, falando comparativamente com um Palmeiras, com o Flamengo, é o lado financeiro. Essas equipes vão ser sempre superiores porque atraem mais público, é natural que ganhem mais. E essa diferença é fatal no futebol. Fazer um planejamento com x, contra x mais y, é totalmente diferente. As grandes equipes não vão querer receber o mesmo que as de menor condição, de menor torcida, de menor representatividade. Sempre vai haver essa diferença, e cada vez mais acentuada. E isso se traduz dentro do campo de jogo. Não há como.

    Tem solução?

    Não existe solução. (Para os times menores) Formar equipes humildes, e fazer esse tipo de enfrentamento contra esses (times) poderosos. Vai haver sempre essa diferença, não há como ajustar isso.

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