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    Cartazes racistas e neonazistas em Blumenau: dois anos depois, ninguém foi punido

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    20/11/2019 - 18h57 - Atualizada em: 04/06/2020 - 16h06
    Cartazes de ameaça contra advogado (foto: Marco Antonio André, Reprodução)
    Cartazes de ameaça contra advogado (foto: Marco Antonio André, Reprodução)

    Os cartazes racistas distribuídos em Blumenau, direcionados ao advogado e ativista negro Marco Antonio André, seguem sem punição, dois anos depois. Em dezembro de 2017, uma operação contra ações supremacistas e neonazistas foi feita pela Polícia Civil de Blumenau, em resposta aos cartazes de cunho neonazista que circularam pela cidade meses antes.

    O caso repercutiu em todo o país, e sete pessoas foram indiciadas. Mas, até agora, o caso ainda não chegou à fase de denúncia no Ministério Público.

    O processo corre na 10ª Promotoria de Justiça de Blumenau. A assessoria de comunicação do MPSC informou que, desde a conclusão do inquérito, o número de suspeitos subiu para 10 graças a novas informações.

    No ano passado, a polícia fez nova busca e apreensão de equipamentos eletrônicos, como celulares e computadores. O material aguarda análise do Instituto Geral de Perícias (IGP) – e não deve sair de lá tão cedo. É o 83º na fila.

    De acordo com o delegado Lucas Gomes, responsável pelas investigações, pelo menos um dos suspeitos confessou a distribuição de cartazes na época da prisão. Os indiciados são de Blumenau, Indaial, Itajaí e Londrina (PR), onde foi preso um suspeito que teria ligações com grupos de skinheads.

    — Ele tinha um grande arsenal químico, para fabricação de bombas — diz o delegado.

    Negro, comunista, antifa

    Os cartazes com conteúdo neonazista começaram a ser distribuídos aleatoriamente em Blumenau, em 2017. Segundo o delegado, traziam mensagens como “você, homem branco, por que não luta pelos seus direitos?”. Surpreendentemente, ninguém parece ter dado importância. Nenhuma denúncia chegou à polícia, até os ataques pessoais ao advogado.

    Colados no poste e na parede da casa de Marco Antonio, os cartazes traziam com uma imagem com referência a membros do grupo racista norte-americano “Ku Klux Klan”, em tom de ameaça, e a mensagem – "Negro, comunista, antifa (antifascista), macumbeiro. Estamos de olho em você."

    Para o advogado, os ataques são resultado de uma visão racista e preconceituosa.

    — Você fica de certa forma traumatizado, porque isso o atinge de forma pessoal. Mas ainda vivemos em uma sociedade racista — avalia.

    Entre os indiciados pela polícia no caso dos cartazes de Blumenau, dois são reincidentes. Foram presos em 2016, em Itajaí, pelo mesmo crime. Este ano, os dois tiveram o processo arquivado pela Justiça.

    Houve problema na produção de provas – os policiais não foram ouvidos após a fase de inquérito. Mas a decisão aponta, ainda, que as menções ao nazismo não teriam conotação criminosa. "Considerando as provas dos autos e o contexto do fato, tenho que, os réus ao colarem cartazes, manterem estes e publicarem fotos da cruz suástica/gamada e do ditador Hitler em seus perfis pessoais no Facebook, não o fizeram com o dolo específico de divulgar/incitar o nazismo."

    Investigação continua

    — O que tínhamos de informação é que estavam começando a montar uma célula neonazista em Blumenau. Foi importante para coibir. Temos visto atos extremistas pelo país, moradores de rua mortos, casos de envenenamento. Temos que ficar de olho — diz o delegado.

    Além do caso dos cartazes, o delegado tem outras investigações paralelas que envolvem neonazistas no Vale do Itajaí.

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