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    Como um impasse em indústria que processa restos de pescado pode prejudicar a safra da sardinha em SC

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    Por Dagmara Spautz
    14/02/2020 - 19h25 - Atualizada em: 27/02/2020 - 16h35
    GDC, em Itajaí (foto: Lucas Correia, Arquivo NSC)
    GDC, em Itajaí (foto: Lucas Correia, Arquivo NSC)

    A safra da sardinha, considerada a mais importante para a frota industrial de Santa Catarina, começa neste sábado (15), cercada de dúvidas. Os pescadores estão preocupados que um impasse ambiental que envolve a BFP, indústria de processamento de restos de pescado que é ligada à GDC, maior enlatadora do país, resultem em dificuldades para escoar a produção.

    A BFP está na zona rural de Itajaí, e teve as atividades embargadas pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) por reclamações de moradores dos arredores sobre mau cheiro. O caso foi parar na Justiça.

    A indústria investiu cerca de R$ 10 milhões em processos de filtragem para reduzir o odor - mas ainda não obteve autorização do IMA para funcionar.

    Esta semana foram liberados testes, em dias alternados e período limitado de tempo. A medida é insuficiente para dar conta da demanda durante a safra da sardinha, quando o volume de pescado processado aumenta consideravelmente.

    Bioproteína

    A BFP recolhe as partes dos peixe que não são aproveitadas, como as vísceras e a cabeça, e as transforma em bioproteína. O material, que iria para o lixo, vira uma nova substância que é absorvida por outras indústrias.

    Sem autorização para operar a fábrica de bioproteína, a GDC, que fabrica os produtos Gomes da Costa, chegou a dar férias coletivas para os funcionários que atuam na produção de enlatados, no ano passado. Nesta sexta-feira (14), a indústria fechou durante algumas horas porque a fiscalização identificou volume excessivo de resíduos - material que deveria ter sido enviado à BFP.

    Oficialmente, a GDC não comenta os problemas recentes com a indústria. Mas o presidente da Câmara de Cerco no Sindicato dos Armadores e da Indústria da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Agnaldo Hilton dos Santos, diz que o impasse preocupa todo o setor pesqueiro. As enlatadoras absorvem 100% da safra de sardinha de Santa Catarina, e uma paralisação da planta fabril, em plena produção, pode levar a um colapso.

    Prefeito pediu apoio

    No início da semana, o prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), fez um apelo ao secretário nacional de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior, para que interceda junto ao Governo do Estado em busca de solução para o problema. O caso da BFP foi o assunto do primeiro encontro de Morastoni com o governador Carlos Moisés (PSL), ainda em janeiro de 2019.

    - Nos surpreendeu quando mais uma vez foi fechada. Temos dado todo apoio junto ao Governo do Estado, para que ela seja reaberta. Mais ainda pela iminência da pesca da sardinha - diz o prefeito.

    A GDC gera 2 mil vagas de emprego em Itajaí, e é a maior empregadora da cidade na iniciativa privada.

    - É vital, tanto para nossa cidade, porque gera milhares de empregos, quanto para o setor pesqueiro. Esses rejeitos têm que ser destinados para algum lugar. É lógico que a empresa tem que se adequar, para que tenho o mínimo de problemas com a comunidade. Mas é preciso tolerância, para que ela possa ir se adequando e funcionando para tal - afirma Morastoni.

    O IMA emitiu nota sobre a situação da BFP:

    "A empresa voltou a operar na quinta-feira, 13 de fevereiro, após o IMA autorizar o Plano de Testes, apresentado pela Gomes da Costa para verificar o funcionamento do sistema instalado para conter a emissão de odores gerados durante a operação. O Plano de Testes segue até 05 de março. Até este prazo o IMA permanece analisando a eficiência do sistema para, então, emitir ou não a licença.

    A questão envolvendo a referida empresa não representa burocracia do órgão ambiental catarinense, mas o cumprimento da legislação ambiental".

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