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    Eleitor mostrou ter saudade do ‘antigo normal’ na política

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    21/11/2020 - 14h23
    Urna eletrônica
    Urna eletrônica (Foto: Marcelo Casagrande, Agência Brasil)

    Já se sabia, de antemão, que o tsunami de antipolítica que varreu as Eleições de 2018 dificilmente teria forças para resistir até 2020. Nem por isso é menos eloquente o recado que os eleitores deixaram nas urnas no último domingo.

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    Neste ano atípico, em que o mundo virou pelo avesso, o eleitorado sentiu saudade do que já foi o ‘normal’ em nossa jovem democracia. Reconciliou-se com os nomes e partidos mais tradicionais e apostou em renovação com moderação.

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    Parece que diante do caos, a política – justo ela, sempre tão instável – surgiu como a estabilidade possível.

    O fenômeno está muito conectado às consequências que a Covid-19 trouxe para a vida do eleitor, como as incertezas causadas pela crise sanitária a econômica, e a adaptação a novos hábitos de vida. Mas também é resultado da decepção de uma parte do eleitorado que apostou em uma legião de outsiders em 2018, em busca de uma suposta renovação política - e acabou por não se ver representada.

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    A bagunça no Governo de Santa Catarina, que enfrentou as eleições com uma governadora interina e dois processos de impechment contra o governador afastado, fortalece essa sensação para uma parte dos eleitores no Estado. Diante da instabilidade, o eleitorado colocou o pé no freio.

    Para compreender o que isso significa a longo prazo, é preciso ter em mente que as eleições municipais são muito diferentes do próximo pleito, quando escolheremos os governadores, deputados, senadores e o presidente da República. O que pauta a escolha de prefeitos e vereadores são assuntos locais, mais palpáveis e previsíveis.

    Por isso, é cedo demais para dizer como esta nova onda na política nacional chegará a 2022. Ou mesmo se terá fôlego até lá. Mas a leitura dos partidos políticos que se deram bem com o movimento das urnas é de que a onda da antipolítica morreu na praia em 2020.

    Bolsonaro perde?

    A queda da antipolítica nestas eleições municipais está longe de selar uma derrota para o presidente da República. Os grandes vencedores destas eleições, em SC e no Brasil, foram partidos de centro, fechados com Jair Bolsonaro. Nada além do velho normal.

    Mudança diferente

    Santa Catarina saiu das eleições com novidades relevantes. Como o vereador mais votado do Estado, o estreante Alisson Julio (Novo), em Joinville, que tem atrofia muscular espinhal (AME). Ou o mandato coletivo das mulheres do Coletiva Bem Viver, puxado por Cíntia Mendonça (PSOL) em Florianópolis. Entre outras estreias que merecem um olhar com mais atenção.

    Mas é preciso observar que, de forma geral, o movimento de renovação veio com uma embalagem diferente daquele que assistimos dois anos atrás, que consolidou o processo de polarização do país.

    Contatos

    O governador afastado Carlos Moisés (PSL) optou por um conveniente silêncio durante as eleições municipais, sem declarações públicas de apoio. Mas apressou-se em acenar a alguns dos eleitos, de olho na possibilidade de voltar ao governo. Entre eles, Gean Loureiro (DEM) e Clesio Salvaro (PSDB), que saíram fortalecidos do pleito municipal e cotados para 2022.

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