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Feira do Livro

Em nota, Globo repudia ataques de Bolsonaro a Miriam Leitão

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Por Dagmara Spautz
19/07/2019 - 22h30 - Atualizada em: 19/07/2019 - 22h47
(Foto: Marcos Corrêa/PR)
(Foto: Marcos Corrêa/PR)

*Com Guilherme Fernandes

A Rede Globo se manifestou na noite desta sexta-feira (19) a respeito de declarações do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) sobre a jornalista Miriam Leitão. A fala do presidente se deu em resposta a questionamentos de jornalistas estrangeiros sobre o cancelamento da presença de Miriam na Feira Literária de Jaraguá do Sul, nesta sexta-feira (19). Em nota lida durante o Jornal Nacional, a emissora repudiou o que classificou de ataques do presidente à profissional.

"Essas afirmações do presidente causam profunda indignação e merecem absoluto repúdio. Em defesa da verdade histórica e da honra da jornalista Miriam Leitão, é preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente".

A jornalistas estrangeiros, Bolsonaro afirmou, durante entrevista na manhã desta sexta, que Miriam Leitão foi presa quando estava indo para a Guerrilha do Araguaia e afirmou que ela mentiu sobre ter sido torturada durante a ditadura.

As declarações do presidente foram dadas depois que os jornalistas cobraram um posicionamento dele a respeito do cancelamento da participação de Miriam Leitão e do marido dela, Sérgio Abranches, em uma feira literária em Jaraguá do Sul, no Norte do Estado.

A vinda de ambos à 13ª Feira do Livro do Jaraguá do Sul foi cancelada pelos organizadores depois do lançamento de uma petição online de repúdio contra Miriam Leitão por "seu viés ideológico e posicionamento".

Leia a íntegra da nota da Rede Globo:

“O presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta sexta-feira (19) um grupo de jornalistas estrangeiros para um café da manhã. Os jornalistas cobraram do presidente um comentário sobre o ato de intolerância de que foi vítima a jornalista Miriam Leitão, no fim de semana.

Miriam e o marido, Sérgio Abranches, participariam de uma feira literária em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Em redes sociais, foi organizado um movimento de ataques e insultos à jornalista, cuja postura de absoluta independência foi tratada como um posicionamento político de esquerda e de oposição ao governo Bolsonaro.

Em resposta aos correspondentes internacionais, o presidente Jair Bolsonaro disse que sempre foi a favor da liberdade de imprensa e que críticas devem ser aceitas numa democracia.

Mas, depois, afirmou que Miriam Leitão foi presa quando estava indo para a Guerrilha do Araguaia para tentar impor uma ditadura no Brasil e repetiu duas vezes que Miriam mentiu sobre ter sido torturada e vítima de abuso em instalações militares durante a ditadura militar que governava o país então.

Essas afirmações do presidente causam profunda indignação e merecem absoluto repúdio. Em defesa da verdade histórica e da honra da jornalista Miriam Leitão, é preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente.

Miriam Leitão nunca participou ou quis participar da luta armada. À época militante do PCdoB, Miriam atuou em atividades de propaganda.

Ela foi presa e torturada, grávida, aos 19 anos, quando estava detida no 38º Batalhão de Infantaria em Vitória. No auge da ditadura de 64, em 1973, Miriam denunciou a tortura perante a 1ª Auditoria da Aeronáutica, no Rio, enfrentando todos os riscos que isso representava na época.

Narrou seu sofrimento aos militares e ao juiz auditor e esse relato consta dos autos para quem quiser pesquisar.

A jornalista foi julgada e absolvida de todas as acusações formuladas contra ela pela ditadura. A absolvição se deu em todas as instâncias.

É importante ressaltar que Miriam Leitão, ao longo dos governos do Partido dos Trabalhadores, foi também alvo constante de ataques. Não questionaram, como agora, o sofrimento por que passou na ditadura, mas a ofenderam em sua honra pessoal e profissional em discursos do ex-presidente Lula em palanques, e até mesmo a bordo de avião de carreira, quando Miriam Leitão ouviu insultos e ofensas por parte de militantes petistas, que então a chamavam de neoliberal e direitista.

Esses insultos, no passado como agora, em sinais trocados, apenas demonstram a maior das virtudes de Miriam como profissional: a independência em relação a governos, sejam de esquerda ou de direita ou de qualquer tipo.

A Globo aplaude essa independência, pedra de toque do jornalismo profissional, e se solidariza com Miriam Leitão. Uma solidariedade compartilhada por nós, seus colegas da TV Globo, da rádio CBN e do jornal “O Globo”.

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

dagmara.spautz@somosnsc.com.br

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