Dados da Polícia Civil de Santa Catarina, obtidos com exclusividade pela coluna, mostram que as três delegacias regionais que ocupam o topo do ranking dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Estado são, nesta ordem, Joinville, Itajaí e Blumenau. Juntas, somam 168 casos em 2024. São 597 registros ao todo em Santa Catarina – praticamente cinco por dia entre janeiro e abril.

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As ocorrência incluem exploração sexual de criança ou adolescente, favorecimento à prostituição de criança ou adolescente, produção de conteúdo sexual ou de nudez envolvendo crianças e adolescentes, e estupro de vulnerável, ocorrência que corresponde ao maior número de casos, e que também inclui pessoas adultas sem capacidade de defesa.

Na análise sobre os dados nacionais desse tipo de crime, o Anuário de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, traz uma sentença: as maiores vítimas de estupro no Brasil são do sexo feminino – mas não são mulheres, são meninas. Oito em cada 10 casos registrados no país ocorre com menores de idade. Se olharmos os números mais de perto, 61% das vítimas têm menos de 13 anos!

A última edição do anuário traz duas reflexões sobre a quantidade elevada de ocorrências envolvendo abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Por um lado, elas trazem à tona a realidade perversa de um crime silencioso, que ocorre na maioria das vezes dentro do círculo familiar, e que é dificilmente detectável pelas autoridades.

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Por outro, mais denúncias significam mais acesso das vítimas aos órgãos de segurança pública. E, no caso de crianças e adolescentes, isso depende de uma rede complexa para identificar e relatar os abusos. A própria família e a escola têm um papel fundamental nessa rede de apoio. A começar pela conscientização das crianças sobre que tipos de toques e carinhos são adequados ou não.

Outro desafio é a exposição de crianças e adolescentes aos abusos virtuais, pela internet. Essa modalidade de crimes vem aumentando de forma consistente em todo o mundo, e acende um alerta para o monitoramento do conteúdo a que crianças e adolescentes estão expostos nas redes.

Veja o número de casos de violência e abuso sexual infantil em cada Delegacia Regional de SC:

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