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    De hotel a museu

    Parceria com Portugal pode abrir prédios históricos de SC para a iniciativa privada

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    03/11/2019 - 06h00 - Atualizada em: 03/11/2019 - 08h14
    Fortaleza de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos (Foto: UFSC)
    Fortaleza de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos (Foto: UFSC)

    Uma parceria entre o Ministério do Turismo brasileiro e o Governo de Portugal trará ao Brasil um modelo testado e aprovado além-mar para valorização e reativação de prédios históricos. O Programa Revive concede imóveis públicos à iniciativa privada, para fins turísticos. Em Santa Catarina, o projeto pode beneficiar dezenas de espaços que o governo, hoje, tem dificuldades para manter adequadamente.

    É o caso das fortificações de Florianópolis e Laguna, por exemplo - espaços amplos e com potencial de ampliar o alcance turístico. Ou o Palácio dos Príncipes, em Joinville, que abriga o Museu Nacional da Imigração e está fechado há mais de um ano, aguardando obras de restauro.

    Em Portugal, o programa define para cada imóvel que tipo de uso é viável, e depois lança chamada pública às empresas interessadas. É possível habilitar prédios para abrigarem museus privados, restaurantes ou hotéis, por exemplo.

    O primeiro imóvel reabilitado pelo projeto em Portugal foi o Convento de São Paulo, em Elvas, que se transformou em hotel e foi entregue em junho deste ano. Os projetos já movimentaram mais de 50 milhões de euros em terras portuguesas, equivalentes a mais de R$ 220 milhões.

    A superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Santa Catarina, Liliane Nizzola, explica que, para que funcione no Brasil, o programa demandará adaptações. Por enquanto, ainda não está claro se serão incluídos apenas imóveis da União ou se estados e municípios também serão contemplados.

    Na semana passada, um seminário sobre turismo e patrimônio histórico em Porto Alegre (RS) abriu as discussões. O secretário nacional de Integração Interinstitucional do Ministério do Turismo, Bob Santos, adiantou que uma das premissas do programa é que os imóveis estejam, obrigatoriamente, abertos à visitação pública. Um Comitê Gestor Nacional vai edificar a versão brasileira do Revive. O Ministério do Turismo atuará junto com o Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), e com o Iphan.

    Importância mundial

    A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos, que está na foto deste post, é candidata ao título de patrimônio histórico mundial junto com a Fortaleza Santo Antônio de Ratones, na Capital.

    Ambas fazem parte de um conjunto de 19 fortificações que podem ser reconhecidas pelo papel que desempenharam para tornar o Brasil um país de proporções continentais. Foram consideradas características geográficas e arquitetônicas, e a Unesco já aprovou a primeira etapa da candidatura.

    As fortificações, que estão há 40 anos sob tutela da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), representam um desafio logístico de administração.

    Candidatos

    Além das fortalezas, outros exemplos de “candidatos” ao programa Revive em SC são a Escola Antonieta de Barros, na Capital, ou a Casa de Câmara e Cadeia, que foi restaurada e está em processo de abertura como museu. O modelo de parceria público-privada já é adotado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

    Experiência

    A aposta na reativação de prédios históricos para uso turístico apoia-se em um conceito cada vez mais presente, que é o do turismo de experiência. A estimativa é que mais de 60% dos viajantes procurem destinos que possibilitem levar de volta, na bagagem, algo além dos souvenires.

    Serra

    Em Santa Catarina, o mais recente candidato a se tornar patrimônio histórico nacional é o Caminho das Tropas, na região serrana. Está em processo de tombamento pelo Iphan.

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