nsc
    nsc

    Meio ambiente

    Vídeo: ave migratória que morreu em Bombinhas tinha plástico em vez de comida no estômago 

    Compartilhe

    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    19/02/2020 - 13h30 - Atualizada em: 19/02/2020 - 15h37
    Bobo-pequeno é comum nas ilhas da Grã-Bretanha e vem ao Brasil em busca de alimento (foto: Divulgação PMP-BS)
    Bobo-pequeno é comum nas ilhas da Grã-Bretanha e vem ao Brasil em busca de alimento (foto: Divulgação PMP-BS)

    Recolhido na Praia de Mariscal, em Bombinhas, um puffinus puffinus, ave marinha migratória que é conhecida como bobo-pequeno, surpreendeu os pesquisadores e técnicos do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) pela quantidade de lixo que tinha no estômago. O animal, jovem, não tinha nenhum resquício de alimento, como peixes e lulas – mas fragmentos de embalagens plásticas.

    O pássaro chegou vivo à praia, mas morreu durante o resgate. A necropsia, feita na unidade de Penha, comprovou que ele foi vítima de inanição. O bobo-pequeno estava desnutrido e pesava 215 gramas, metade do peso de um animal saudável da mesma espécie.

    De acordo com o Projeto de Monitoramento de Praias, as lesões sugerem morte por síndrome caquexia, devido à atrofia generalizada das vísceras e dos órgãos, associada à ausência de conteúdo alimentar - que foi substituído pela ingestão do lixo. O animal também tinha parasitas, o que sugere uma deficiência imunológica. É possível que a ingestão de resíduos também tenha colaborado para a queda na imunidade.

    Os bobos-pequenos migram das ilhas do Atlântico Norte, especialmente da Grã-Bretanha, onde se reproduzem, até o Hemisfério Sul. Passam pelo Litoral do Brasil e da Argentina para descanso e alimentação, e já foram avistados na costa da África do Sul.

    Problema recorrente

    O oceanógrafo Jeferson Dick, da Univali, que coordena a Unidade de Estabilização do projeto, diz que as aves marinhas e as tartarugas são as espécies que mais têm interação com o lixo. Entre os animais que chegam mortos às praias de Santa Catarina, e passam por necropsia, cerca de 60% têm resquícios de lixo no estômago.

    As aves e tartarugas são mais afetadas porque confundem o plástico, principalmente, com alimento. Os técnicos do projeto já atenderam animais que tiveram o intestino perfurado por pedaços de plástico resistente, como o que é usado em tampinhas de garrafas. A perfuração causou infecção generalizada, que levou o animal à morte.

    O lixo divide com a pesca a responsabilidade pela mortandade de animais marinhos. Mas Dick avalia que a situação do lixo é mais complexa:

    - A pesca, com regulamentação e fiscalização, é possível controlar. Mas a questão do lixo é mundial, exige uma dimensão de trabalho muito maior, e a solução é mais difícil – diz.

    Além do lixo despejado diretamente no mar, os resíduos chegam ao oceano levados pelos ventos, naufrágios e pelos rios.

    Monitoramento

    O Projeto de Monitoramento de Praias atende a um condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

    Durante o ano todo, o monitoramento recolhe e reabilita os animais que chegam vivos às praias. Os que chegam mortos passam por necropsia. A atividade ocorre desde Laguna até Saquarema, no Litoral do Rio de Janeiro. A Univali coordena o trecho catarinense, em parceria com a Udesc, Instituto Australis, Associação R3 Animal e Univille.

    Participe do meu canal do Telegram e receba tudo o que sai aqui no blog. É só procurar por Dagmara Spautz - NSC Total ou acessar o link: https://t.me/dagmaraspautz​

    Deixe seu comentário:

    Últimas do colunista

    Loading...

    Mais colunistas

      Mais colunistas