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Mortes em confrontos

"Em alguns casos é necessário uma ação mais enérgica", diz secretário de Segurança

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Por Diogo Vargas
04/12/2018 - 11h02 - Atualizada em: 04/12/2018 - 11h15
Secretário de Segurança Pública de SC, Alceu de Oliveira Pinto Júnior (Foto: Arquivo NSC)

Prisões mais qualificadas, necessidade de ação mais enérgica em situações de risco ao policial e à comunidade, além do próprio mercado criminoso do tráfico de drogas.

Na avaliação do secretário de Segurança Pública, o advogado e doutor em direito penal, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, esses fatores explicam o aumento dos confrontos com mortes envolvendo as polícias Militar e Civil em Santa Catarina.

São 90 casos de janeiro a novembro em 2018 contra 66 no mesmo período de 2017.

Alceu afirma que há trabalho psicológico aos policiais e que o número poderia ser ainda maior não fosse a ação das inteligências.

Confira a entrevista por telefone dada na manhã de hoje (4):

A que se deve o aumento das mortes em confrontos?

Foi mudança de estratégia que a gente fez no início do ano. As polícias, tanto a Civil quanto a PM, com funções e atuações diferentes, buscam um outro tipo de criminoso. As prisões estão sendo mais qualificadas. Claro que não se abandonou aquele pequeno traficante que fica na boca de fumo. Mas o trabalho de inteligência e a orientação é para buscar o fornecedor do fornecedor, um terceiro nível àquele traficante que está vendendo na rua. Só que o problema desse tipo de criminoso é que ele está melhor armado, escondido, protegido. Não é aquele que a polícia chega, dá o atraque na rua e coloca no camburão. São gente com penas muito grandes, turma que não tem muita coisa a perder e até pelo comando que exerce são mais violentos e acaba gerando esses confrontos.

Os casos ocorrem em lugares recorrentes, a Papaquara, por exemplo. Não há uma ansiedade da polícia na resposta ao crime e os confrontos acabam acontecendo?

Não. Porque se fosse seria só no início essa ansiedade. Hoje essa resposta está bem dada: a diminuição dos índices, com resultado positivo suficiente. É que realmente há uma mudança de estratégia, o que a gente tem chamado de prisão qualificada.

De qualquer forma esses confrontos, o senhor mesmo já relatou, não são o ideal. Como o senhor vem trabalhando o assunto?

Temos trabalhado bastante. Inclusive com apoio psicológico para os policiais que participam com ações mais complexas que envolvem confronto para fazer apoio e que a violência pela qual ele participou não gere mais violência e trauma ao policial.

A secretaria faz alguma análise dos casos?

Não. Tem uma corregedoria específica, os inquéritos para cada caso, cada ocorrência específica. Tanto na Polícia Civil quanto na Polícia Militar.

Houve queda de 20% nos homicídios este ano no Estado. De alguma forma esse número está ligado aos confrontos?

Está ligado. Porque essa prisão qualificada são chefias, são lideranças. Quando a gente retira da rua, tem uma série de prisões. Tinha uma média de quatro, cinco prisões ano passado. Hoje trabalhamos com dez prisões por dia. A maioria está presa. Alguns casos onde há reação, onde coloca a vida do policial e da comunidade em risco, é necessário uma ação mais enérgica, que infelizmente acaba gerando o confronto. O trabalho de inteligência vem sendo tão bem feito que tem se evitado confronto, apreendido arma em momentos específicos, com infiltrações. Tenho certeza que isso tem diminuído a necessidade de confronto.

A PM desenvolve a Operação Mãos Dadas (em comunidades críticas de Florianópolis). Há resultados?

Sim, o reflexo é impressionante. Tenho recebido relatos, acompanhado no local, em algumas áreas. A palavra da comunidade quanto a aproximação é impressionante. Foram escolhidos oficiais muito específicos para atuar junto, não com a função de repressão, mas polícia de prevenção. O coronel Araújo Gomes (comandante-geral da PM) foi muito feliz nessa escolha.

O senhor acredita que a realidade dos confrontos tende a cessar?

Enquanto houver crime, consumo de droga, esse mercado que existe, vamos ter sempre a atividade criminosa e infelizmente alguns confrontos também.

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