Tanto a onda de votos para o candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, do PSL, que chegou perto de vencer no primeiro turno, quanto a preferência ao candidato do PT, Fernando Haddad, que ficou em segundo lugar, tiveram como foco principal questões econômicas.
Empresários de todas as regiões de Santa Catarina, por exemplo, estão apreensivos com a eleição porque temem a continuidade da crise que vem desde 2014. São cinco anos incluindo recessão e estagnação. Por isso a preferência por Bolsonaro. Esse drama também é enfrentado pelos trabalhadores, que sentem o peso do desemprego e da fraca atividade econômica. Nesse caso, a estratégia de Haddad é remeter aos tempos do governo Lula, alegando que nunca a qualidade de vida dos brasileiros mais pobres melhorou tanto. Os dois casos remetem à famosa expressão “É a economia, estúpido”, dita por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton em 1992. É o governo federal quem dita a política econômica.
O resultado do primeiro turno impõe aos vencedores a necessidade de aprofundar propostas, especialmente sobre as reformas e medidas para melhorar a economia. Terão que se comprometer com o tipo de ajuste que farão nas contas nacionais. Economistas que conhecem contas públicas, quando o assunto é o tamanho e o crescimento acelerado da dívida da União dizem que é preciso um ajuste de 5% a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Os parlamentares eleitos, por sua vez, devem buscar conhecimentos sobre as mudanças que deverão ser aprovadas no Congresso. É fundamental que as decisões sejam pelo país e não apenas partidárias. É preciso colocar o Brasil na rota do crescimento, atraindo mais investimentos, com novos empregos e maior arrecadação tributária. Assim, o quinto maior país do mundo em população e o nono no ranking das maiores economias conseguirá evitar uma crise ainda mais profunda, com atrasos de salários e aposentadorias, drama já enfrentado em alguns Estados brasileiros. É preciso mudar o jogo. É isso que os brasileiros querem, com a continuidade da democracia.
Em SC, propostas mais claras
Com a realização do segundo turno da eleição em Santa Catarina entre os candidatos Gelson Merísio e o novo político comandante Carlos Moisés, os catarinenses terão oportunidade de cobrar mais clareza sobre as propostas desses que podem governar o Estado que tem a melhor economia do país.
Apesar dessa condição econômica, o que é confirmado pela menor taxa de desemprego do país, Santa Catarina tem elevados gastos públicos concentrados principalmente em salários. Isso precisa mudar e os dois postulantes devem deixar mais claro como vão enfrentar esse desafio.
Ainda na economia, o Estado necessita de um choque na infraestrutura, da continuidade do apoio a negócios inovadores, mais formação de profissionais de nível técnico, de uma legislação favorável ao comércio exterior e de mais investimentos para aquecer o turismo, entre outras demandas.
Ambos candidatos também prometeram priorizar a educação. Ela é a base de tudo, melhora a economia, a qualidade de vida e reduz a insegurança. SC precisa de resultados parecidos com os do primeiro mundo na educação. A partir de agora, os candidatos terão três semanas para oferecer melhores projetos para colocar a economia de Santa Catarina num rumo promissor.
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