“O otimismo com o futuro se transforma em consumo”, diz presidente da Whirlpool América Latina

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A Whirlpool, líder mundial em eletrodomésticos da linha branca, dona das marcas Consul, Brastemp e Embraco, registra um ano bom, mas com nível de vendas de quase 10 anos atrás. Hoje, a multinacional emprega cerca de 13 mil pessoas nas suas unidades em Joinville. A informação é do presidente da companhia na América Latina, João Carlos Brega, para quem o mercado brasileiro vai melhorar no ano que vem, com um novo governo. Mesmo em tempos difíceis, a empresa investe alto em inovação. Ele palestrou no Lide SC dias atrás e falou com a coluna. 

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Que análise o senhor faz do cenário econômico do Brasil?

A gente não esperava de 2018 um grande ano para a economia porque as questões políticas acabam se sobrepondo às econômicas. Ocorreram avanços que devem ser lembrados, como o teto de gastos e a reforma trabalhista. Aliás, sobre o teto, o nosso senador Dalirio Beber preparou o seu relatório solicitando redução de 10% das verbas de custeio, congelamento de gastos nos gabinetes de deputados e senadores, proibição do governo federal de criar novos cargos, só repor quem sai. É uma demonstração de que os governos, os três poderes, devem fazer a sua parte. Isto porque nas nossas empresas, na vida privada, quando a gente fala que vai reduzir custos, realmente reduz custos, independente de indexação. Finalmente, o governo, por meio do Legislativo – o relator da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), para nossa felicidade um senador catarinense –, está fazendo isso. Como em 2018 tivemos alguns grandes passos, mas como as reformas da Previdência, tributária e política não avançaram, o país parou. A economia parou de avançar. Nenhum país morre. 

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O Brasil não iria acabar. Mas a gente está num estado dormente, sem crescimento. 

 

Como estão as vendas de eletrodomésticos da linha branca no Brasil?

Particularmente no caso da linha branca, estamos parados a volume de 2008, 2009. Estamos como quase 10 anos atrás. O lado bom é o potencial, porque um dia essa demanda virá. Ela virá quando a gente não tiver uma taxa de desemprego de 13%, quando a gente tiver estabilidade política. Eu acredito que isso vai acontecer em 2019. Acho que vai ser um marco, vamos ter uma oportunidade como país agora com as eleições de 2018. A história diz e há referência de outros países também: quando há um novo presidente eleito, pelo menos nos primeiros seis meses ou um ano, há uma expectativa melhor para o futuro, e esse otimismo se transforma em consumo. Com essa demanda reprimida, a gente acredita que 2019 será um bom ano para o nosso setor. Se também serão bons anos 2020, 2021 e 2022, isso vai depender da aprovação das reformas. Então, este está sendo um ano Ok, mas não é uma Brastemp.

 

O que é um ano Ok?

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Um ano Ok é que nos últimos 18 meses nós temos a felicidade de ter uma participação qualitativa, ou seja, percentual no mercado que é a maior de todos os tempos. A grande diferença é que em outros anos a gente sentava para comer uma pizza tamanho família e saíamos satisfeitos. Hoje, a gente come uma pizza brotinho, individual, mas saímos da mesa com fome. A diferença é que hoje temos uma participação maior de mercado, mas para um mercado menor. Apesar disso, continuamos investindo. Em agosto de 2017 e fevereiro de 2018 foram as duas datas em que as marcas Brastemp e Consul lançaram a maior quantidade de produtos da história. Isso porque acreditamos que investimento em tecnologia. 

 

Uma pesquisa técnica recente apontou a Whirlpool em primeiro lugar como empresa brasileira mais inovadora de produtos para o lar. Quanto vocês investem em pesquisa e desenvolvimento?

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Investimos em pesquisa e desenvolvimento de 3% a 4% do faturamento todo ano. Isso não é tocado, não muda. Na região latino-americana, vamos lançar neste ano cerca de 200 produtos, 70% no Brasil. Uma boa parte foi lançada em fevereiro. Lançamos a cervejeira IoT Consul. Você baixa um app no seu celular que vai dizer quantas cervejas você tem na cervejeira e a temperatura. Quando baixar o estoque, ela indica dois ou três locais para suprir a cerveja. Para quem gosta de churrasco, tem um compartimento numa nova geladeira que conserva a carne fresca por 10 dias. São tecnologias que desenvolvemos pensando no consumidor. Cada vez mais a gente não congela alimentos, ajuda a preservá-los, nossas máquinas não lavam roupas, mas ajudam a conservá-las e agora temos máquina que permite misturar roupas brancas e coloridas. Não vendemos fogões, mas ajudamos a preparar alimentos. 

 

A eleição presidencial brasileira está muito indefinida. Como vocês estão decidindo produção diante dessa incerteza? 

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A economia está impactada pela agenda política. A nossa demanda tem dois pilares: o de reposição e o de planejamento. Se quebrar a geladeira, a pessoa tem que comprar. Esse é o mercado de reposição. O de planejamento ocorre quando você reforma a casa ou adquire um item pelo avanço tecnológico. Então, hoje, nesse cenário de incerteza, a gente planeja basicamente na reposição. Isso vale para produção, não vale para investimentos em tecnologia e desenvolvimento de produtos. 

 

A Whirlpool tem um centro de inovação em Joinville. Qual é o foco dele?

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É o centro mundial da companhia para pesquisa e desenvolvimento de refrigeradores de uma porta e duas portas. A Whirlpool é mundial e tem centros de excelência, onde a gente procura coletar todos os dados e fazer o desenvolvimento para o mundo, do básico. E depois, cada região tem um centro de pesquisas para ajustes. No caso de refrigeradores, o Brasil, em Joinville, é esse núcleo duro de pesquisa. Há uma parceria com a Universidade Federal de SC de mais de 30 anos que suporta isso. 

 

A Whirlpool anunciou este ano a venda da Embraco, indústria de compressores de refrigeração para a japonesa Nidec. Como está esse processo?

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Está caminhando bem. Depende de agências regulatórias ao redor do mundo e está seguindo um cronograma, que deve ir até o final do ano. Até lá, a Embraco segue com a gestão da Whirlpool. 

 

Como estão as exportações do grupo a partir do Brasil?

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Somos heróis. As exportações da Embraco caíram. Isso porque o custo Brasil continua. O que é custo Brasil? Se o preço de um compressor exportado é US$ 100, desse total US$ 6 é PIS e Cofins. Se a Embraco exportar esse produto do México, poderá vender por US$ 94 porque lá não tem PIS e Cofins. Vamos falar de custo de mão-de-obra. Se você assume que a China é US$ 100, no Brasil é US$ 154 (Joinville) porque tem encargos sociais. Só de dias trabalhados, o México trabalha 10% a mais do que o Brasil. Nós temos algumas coisas que ou a gente olha, decide se abrir para o mundo e ser competitivo, ou não mudaremos. Há 30 anos, éramos 1% do comércio mundial. Hoje continuamos com 1%, isso porque a gente tem uma agroindústria extremamente competitiva. 

 

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