Levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) mostra que de janeiro a maio deste ano a produção têxtil no Brasil caiu -3,2% e a de vestuário, -5,8% e foram fechados 13 mil empregos formais pelo setor nos últimos 12 meses. Em contrapartida, a venda de vestuário ficou estável em função de importações que cresceram no período devido a taxa das blusinhas. Por isso, o presidente da associação, Fernando Pimentel, alerta que o Brasil precisa decidir o que priorizar.

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-O Brasil precisa decidir se quer produzir ou apenas consumir – alerta o presidente da Abit em artigo nas redes sociais.

Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Foto: Abit, Divulgação)

Como taxa das blusinhas afetou o setor têxtil

Fernando Pimentel informa que como a produção caiu e o consumo continuou, o que mudou é quem está atendendo esse consumo. Os dados mostram que as importações convencionais de vestuário cresceram 54,1% e as compras realizadas por plataformas internacionais (que também são importações) dobraram em junho de 2026 frente a junho de 2025. Essa substituição com importações mostra pressão por desindustrialização do setor.  

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O governo federal retirou taxa de 20% sobre a importação por plataformas, a chamada “taxa das blusinhas” em maio deste ano. No mês passado, junho, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as compras nesses sites cresceram 118% em número de remessas e em 107% em faturamento.

– Hoje, praticamente todas as grandes economias reforçam suas políticas industriais e utilizam instrumentos legítimos de defesa comercial para preservar suas capacidades produtivas. O Brasil, entretanto, corre o risco de caminhar na direção oposta, permitindo que o ajuste entre oferta e demanda recaia sobre quem produz, investe e gera empregos no país – argumenta o presidente da Abit.

O Brasil é um país grande, também com uma grande economia. Na área de têxteis e confecções tem uma cadeia completa, que vai da produção do algodão, gera milhões de empregos em milhares de municípios. Para a Abit, o país preservar essa capacidade não significa fechar a economia ao mercado internacional; significa garantir condições justas de competição.

– Por isso, é urgente fortalecer e acelerar os instrumentos legítimos de defesa comercial e rever a política aplicada às pequenas encomendas internacionais. Não faz sentido destaxar o importado e continuar tributando o produto fabricado no Brasil – compara Fernando Pimentel.

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Vários pacotes plásticos de envio de roupas com a inscrição da marca Shein empilhados e amarrados, ilustrando as encomendas que circulam sem a cobrança da taxa das blusinhas.
Isenção da “taxa das blusinhas” provocou uma explosão de compras em plataformas digitais internacionais no mês de junho (Foto: Reprodução)

Setor têxtil quer mais que o fim da taxa das blusinhas

Para a Abit, taxa igual para a produção nacional e “blusinhas” importadas não é suficiente para manter o setor competitivo. O setor também precisa que o país ofereça melhores condições de competitividade como melhoria da infraestrutura, juros mais baixos, melhor formação profissional, investimentos em inovação e ambiente regulatório mais simples.

Fernando Pimentel reconhece que o governo federal tem programas positivos como o da  Nova Indústria Brasil (NIB) e a atuação por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industria (ABDI), a Agência de Promoção de Exportações (ApexBrasil) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Para eles, esses programas precisam continuar e ser fortalecidos.

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O presidente da Abit reconhece também que o comércio internacional é fundamental para o desenvolvimento econômico, mas precisa ocorrer com isonomia tributária. Para ele, ainda há tempo para mudar a trajetória da indústria, mas é preciso ser rápido porque as perdas são mensais.

Fiesc acompanha com atenção impactos vividos pelo setor

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) acompanha com atenção esses desafios do setor, princialmente por meio do seu Conselho da Indústria Têxtil, Confecções, Couro e Calçados, que tem à frente o empresário César Döhler. Santa Catarina é o maior produtor do setor têxtil e de confecções do Brasil. Em 2024, alcançou movimento econômico de R$ 40,3 bilhões e exportou R$ 2 bilhões. A indústria têxtil e de confecções também é a maior empregadora do setor de transformação no estado, sendo responsável por um em cada cinco postos de trabalho industriais, informou a Fiesc em 2025.

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