nsc
nsc

Cenários

Vendas de imóveis caem, mas expectativa é de estabilidade em 2022, diz Sinduscon

Compartilhe

Estela
Por Estela Benetti
29/11/2021 - 17h04 - Atualizada em: 29/11/2021 - 17h10
Marco Aurélio Alberton, presidente do Sinduscon da Grande Florinaópolis
Marco Aurélio Alberton, presidente do Sinduscon da Grande Florinaópolis (Foto: Sinduscon, Divulgação)

A inflação alta no mundo e no Brasil forçou o aumento dos juros básicos da economia e dos imóveis e afetou as vendas do setor. Nos municípios de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça, no terceiro trimestre deste ano houve recuo de 37% nas vendas e nos lançamentos de imóveis residenciais e comerciais na comparação com o mesmo período de 2020, segundo estudo da Brain Consultoria Estratégica.

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

Mas o presidente do Sindicato da Indústria da Construção da Grande Florianópolis (Sinduscon), Marco Aurélio Alberton, prevê uma estabilidade nas vendas para 2022, inclusive para a capital, onde o número de lançamentos é menor. Entre as razões para otimismo está a continuidade da oferta de financiamentos ao setor e o desejo de muitas famílias de adquirir a casa própria.

A retração na oferta de imóveis é mais crônica em Florianópolis, em função do atual plano diretor. Contudo, as mudanças que estão sendo viabilizadas nessa legislação também trazem novo ânimo ao setor para o ano que vem. Saiba mais na entrevista de Alberton, a seguir.

Florianópolis tem registrado queda nos lançamentos de empreendimentos residenciais. Isso tende a continuar?

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) constatou essa tendência, de uma forma geral no país, no terceiro trimestre do ano, com exceção da Região Sul, que não teve queda de lançamentos e vendas. Isso está motivado muito no tripé inflação, cenário político do país e a questão do emprego, que está gerando insegurança futura para quem pensa em adquirir um imóvel. Apesar disso, a expectativa deste ano da CBIC é de que as vendas de imóveis no país cresçam de 4% a 5%.

Em Florianópolis, desde 2014 a gente registra queda no número de projetos e de lançamentos. Em 2014, somente de residencial multifamiliar, ocorreram lançamentos que somaram 525.194 metros quadrados de empreendimentos aprovados no município. No ano passado, fechamos com 138.945 metros quadrados. Já tivemos picos de aprovação. Em 2003, foram aprovados 734.500 e em 2012 foram 745.000 metros. A média que tínhamos era de 400 mil metros quadrados por ano. Depois de 2014, com a mudança do plano diretor, a insegurança jurídica que ele trouxe e a necessidade de ajustes que não foram feitos ainda, gerou muita dificuldade para que pudessem ser aprovados projetos em Florianópolis. Por isso achamos importante o trabalho recente do poder público para fazer o ajuste no plano diretor. O projeto está para ser reencaminhado para a Câmara de Vereadores e, quem sabe no ano que vem, tenhamos o plano diretor ajustado. Uma mudança maior, incluindo gabaritos e planos, pode acontecer numa revisão do Plano Diretor em 2024, em função de o atual plano completar 10 anos.

Na prática, o que atrasa os lançamentos?

A gente entende que o plano diretor de Florianópolis está muito burocrático. Você leva de dois a quatro anos para aprovar um projeto. Há muita burocracia e o custo do terreno é muito alto. O setor público vem trabalhando para melhorar isso. Uma das mudanças é o ato declaratório, já em vigor, digital, que facilita construção de residências unifamiliares ou reformas dessas unidades. Isso facilita a avaliação por parte dos analistas da prefeitura e deixa mais tempo para que tratem de projetos multifamiliares, empreendimentos maiores. Outra mudança feita foi sobre impacto da vizinhança. Agora foi digitalizado. São ações que envolvem burocracia, insegurança jurídica, custo elevado da terra em Florianópolis.

Como foram as vendas de imóveis em Florianópolis e região no terceiro trimestre?

A pesquisa que estamos divulgando nesta segunda-feira mostra que houve uma redução tanto nos lançamentos, quanto nas vendas do terceiro trimestre deste ano (julho, agosto e setembro). Tivemos um momento bem positivo, quando a taxa de juros do CDI estava em 2%, com oferta de crédito farta e baixa taxa de juros. Isso animou bastante o mercado. Mas, este ano, a gente viu as taxas de juros básicos crescerem para 7,75% ao ano. Apesar disso, ainda há crédito no mercado. Um problema em Florianópolis é a falta de imóveis para habitação de interesse social. Infelizmente não tem em função do alto valor da terra. Mas esse ajuste do plano diretor vai dar um grande incentivo para fazer habitação de interesse social em Florianópolis. Hoje, esses imóveis são feitos em Palhoça, São José e Biguaçu.

O custo da construção também está influenciando na retração das vendas?

Sim! Esse custo maior da construção civil também influenciou no recuo. Temos um aumento de CUB acumulado de 18,31%, isso muito relacionado com o aumento dos materiais, que é um desafio grande do nosso setor. O mundo todo passou a consumir mais materiais de construção de uma hora para outra. Houve um desabastecimento na pandemia. Algumas indústrias de insumo não conseguiram retomar um bom ritmo de produção. A China teve um impacto grande nisso, principalmente no preço do aço, que subiu mais de 100% e até faltou no mercado. O preço do metro quadrado subiu em função da falta de materiais e escassez de mão de obra. Com exceção do Sul, que cresceu 5%. Já a queda em Florianópolis foi o somatório de dificuldades para investir, os altos preços de insumos e a inflação.

Como vão se comportar as vendas de imóveis no ano que vem?

É um momento desafiador. Acredito que neste ano ainda teremos um certo aumento de materiais. O CUB do mês de outubro fechou com alta abaixo de 1%. Tivemos em alguns meses mais de 2% de alta. Mas acho que os preços vão se acomodar. A expectativa para 2022 é de estabilidade na venda de imóveis. Será um ano eleitoral. Existem dúvidas sobre a inflação e a evolução a Covid porque há uma quarta onda na Europa. Tudo isso gera um cenário de incertezas.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Mais colunistas

    Mais colunistas