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    A epidemia que provocou o sumiço dos bugios no Vale do Itajaí

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    Por Evandro de Assis
    15/06/2020 - 17h41
    Mortalidade por febre amarela é estimada em 90%
    Mortalidade por febre amarela é estimada em 90%

    Você tem visto bugios nos últimos tempos?

    Até o fim do ano passado, uma família com sete macacos cruzava a vizinhança onde moro quase que diariamente. A presença deles e de outros grupos numerosos era perceptível pelo rugido que ecoava entre os morros.

    Mas nos últimos meses, silêncio.

    Relatos assim se repetem em diversas localidades do Vale do Itajaí. Personagens outrora comuns nas franjas da Mata Atlântica andam mesmo sumidos, e o motivo é a febre amarela silvestre.

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    Bugios estão entre as espécies de macaco mais ameaçadas pela doença, que chegou com força a Santa Catarina no ano passado. Campanhas de vacinação ajudaram a reduzir o contágio entre humanos. Quanto aos bugios, pouco pôde ser feito. A mortalidade alcança mais de 90% dos infectados e não existe vacina.

    Segundo o professor da Furb Júlio Cesar de Souza Júnior, coordenador do Projeto Bugio, ainda não é possível precisar o tamanho da mortandade. Seria necessário um aprofundado trabalho de campo, que a pandemia de Covid-19 tornou inviável.

    O número de animais acidentados, seja por contato com a rede elétrica, ataques de cães ou atropelamentos, diminuiu. Até o último verão, eram três resgates por mês, em média. Desde março, apenas um caso foi registrado.

    — Nosso medo maior é o próximo ciclo (de febre amarela) acabar com o que restou — lamenta Souza.

    O último boletim da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) do Estado, de 1º de junho, aponta 40 casos confirmados em macacos e outros 59 em investigação nos 10 municípios do Médio Vale. Sem contar mortes ocorridas no interior da mata, que passam despercebidas.

    Entre os humanos, foram 13 casos na região.

    Transmissão

    Nunca é demais lembrar: bugios não transmitem febre amarela aos seres humanos. Eles são aliados no combate à doença, porque ajudam a identificar onde há surtos. Não importune os sobreviventes.

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