Nem a obra milionária de ampliação da Estação de Tratamento de Água 2 (ETA 2) do Samae, em Blumenau, será capaz de resolver o problema da água turva que provocou desabastecimento nesta semana. A estrutura e os equipamentos a serem instalados por um custo superior a R$ 100 milhões dobrarão a capacidade de produção e reduzirão as chances de pausa na captação, mas não por completo. Quando a água bruta superar o limite de turbidez previsto em lei, será preciso parar as máquinas do mesmo jeito.

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A turbidez, resultado da corrente barrenta provocada pelas chuvas dos últimos dias, prejudicou o abastecimento em mais de 20 bairros. Na noite de segunda-feira (5), o tratamento de água em Blumenau teve de ser interrompido na estação. A capacidade da operação permaneceu reduzida até a noite de quarta-feira (7), quando os níveis de materiais em suspensão finalmente baixaram. Segundo o Samae, nesta quinta ainda há intermitência no abastecimento em algumas regiões.

O objetivo da ampliação da ETA 2, que será contratada com recursos do Fundo do Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), é produzir maior volume de água para atender à crescente população. Mas também há dois itens do projeto que ajudarão a contornar a turbidez.

Segundo o diretor técnico do Samae, Ivo Bachmann Júnior, o novo dispositivo de captação, atrás do Samae, terá duas entradas de água, uma mais rasa e outra profunda. A depender da turbidez, será possível escolher. Os filtros serão mais modernos e incluirão um “desarenador”, equipamento que serve justamente para retirar areia da água. Porém, Bachmann reconhece que só a experiência demonstrará o impacto dos investimentos na resolução do problema. Em eventos recentes, o nível de turbidez do Itajaí chegou a superar em quatro vezes o máximo tolerado.

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Esse é o tipo de desafio ambiental complexo demais para ser atacado apenas com obras de engenharia ou isoladamente por Blumenau. A água turva do Itajaí-Açu, historicamente observada em períodos de chuva, carrega cada vez mais sedimentos devido à degradação da cobertura vegetal e à formação de aterros nos rios e ribeirões da bacia.

A recorrência do desabastecimento, em Blumenau e também em cidades vizinhas, recomenda um plano conjunto dos municípios com o objetivo de preservar os recursos hídricos que servem a todos.

Correção

Até 10h10min de sexta-feira (9), a coluna informou que a ampliação da ETA 2 do Samae não impactaria a turbidez da água do Itajaí-Açu. A informação equivocada havia sido repassada pela assessoria da autarquia. Na verdade, o novo sistema prevê dispositivos de captação e filtragem para amenizar o problema. A versão acima já foi corrigida.

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