São sete anos da tragédia com o avião da Chapecoense. As memórias daquele dia ainda são fortes. Foi o dia mais triste em anos de jornalismo esportivo. Foi o dia mais triste entre todos em muitos anos.

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Por volta das 4h30 da madrugada daquele 29 de novembro de 2016 recebi uma ligação de um amigo do futebol, um executivo que havia passado pelos clubes do estado. Ele disse “já tá sabendo? O avião da Chape caiu…”. 

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Eu estava acordado meio dormindo e aquela informação não chegou a ser assimilada por completo. Lembro de ter pensado que o avião poderia ter tido problemas no pouso ou na decolagem, algo menor. Não realizava a ideia de que o avião tivesse caído realmente. Foi quando liguei a TV… a Globonews já estava em plantão com as primeiras informações.

A partir daquele momento a realidade veio à tona e comecei a fazer contatos e receber mensagens também. Era fato entendido: o avião da Chape havia caído. Mas qual seria a real gravidade? 

Comecei a pensar em pessoas que estavam ou poderiam estar na delegação que eu tinha mais proximidade e uma certa convivência e amizade. Quem poderia, deveria ou estaria de fato naquela viagem. Meu Deus…

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O presidente Sandro Pallaoro e o executivo Maurinho, que haviam se tornado amigos de boa convivência; o meia Cléber Santana, com quem tinha criado boa amizade da época de Avaí e das entrevistas que me concedeu algumas vezes; os zagueiros Neto e Rafael Lima (que acabou não viajando), pessoas queridas de bom convívio… nem sabia ainda que havia colegas de redação naquele voo.

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Nas trocas de mensagens tomei conhecimento que realmente havia colegas muito próximos no voo. Foi desesperador. O cinegrafista Djalma Araújo era um grande parceiro de eventuais matérias que fiz na época de repórter. Giovane Klein era nosso repórter local em Chapecó e havíamos feito algumas transmissões na caminhada da Chape. Bruninho e André Podiacki tinham viajado comigo e com a turma toda para cobrir o acesso do Avaí, 10 dias antes, em Londrina. Numa das mensagem um colega me disse: “nossos amigos se foram”. Ainda bate um desespero ao recuperar esses arquivos no celular.

Por falar em mensagens, guardo as últimas trocadas com Podiacki no dia anterior, dia 28, pelo zap: “Podiacki, hoje é o último Bate Bola do ano. Vamos gravar às 16hs. Podes participar?” Isso era de manhã ainda. Ele respondeu: “Tô indo pra Colômbia hoje. Acompanhar a Chape. Valeu pelo convite”. E eu ainda vibrei com ele: “uuui, o homi tá internacional…” Ele respondeu com uma gargalhada. Eu nem imaginava que ele estaria no mesmo voo. Podiacki era uma espécie de “anjo da guarda” das minhas colunas no site. 

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Na redação estavam todos muito emocionados. Só se via gente chorando. Quem estava inconsolável era nossa então coordenadora, Juliana Bolson. Foi muito duro pra ela lidar com toda aquela tragédia, providências profissionais, a tristeza e, provavelmente, um sentimento de responsabilidade por ter escolhido a equipe da cobertura para a final da Sul-americana. Era uma realização. Uma grande cobertura. Era pra ser feliz… Nunca falamos diretamente sobre isso. Não falamos diretamente porque era e é simplesmente impossível falar. Só choramos juntos todos. 

Para a torcida Chapecoense ficou uma ferida gigante na história. Os heróis nunca serão esquecidos. Sempre serão homenageados e lembrados. Fizeram história, com um conjunto que era um timaço em campo e fora dele. Fazem muita falta. Todos! E que pra sempre vão nos fazer lembrar e ficar tristes em qualquer 29 de novembro. 

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