A crise no Avaí ganhou contornos de urgência máxima e, desta vez, não há como amenizar. O jejum de oito jogos sem vencer na Série B deixou de ser apenas um problema de encaixe tático, desajustes na defesa ou de pontaria no ataque. É também o reflexo direto de uma asfixia financeira que bateu à porta do vestiário novamente.
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Os salários atrasados começam, inevitavelmente, a minar o dia a dia, pesando para os atletas e tensionando o ambiente. Mais uma vez! Como em 2024 e em 2025. É o pior dos cenários para quem precisa reencontrar o caminho das vitórias, para quem quer e precisa lutar por uma vaga na Série A. A cabeça do jogador fica entre a obrigação do resultado em campo, o desempenho, a cobrança, a concentração nos treinos e nos jogos, e as contas que não esperam fora dele.
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O cenário foi admitido e totalmente exposto pelo presidente Bernardo Pessi em entrevista à CBN Floripa neste domingo, ao repórter Cristian de Los Santos. Chamou a atenção a postura do mandatário, com a transparência que tem caracterizado o início de gestão e de quem sabe onde o calo aperta.
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Pessi herdou, há apenas cinco meses, uma situação administrativa e financeira absolutamente caótica da gestão de Júlio Heerdt. O preço de promessas passadas e de um fluxo de caixa destruído em anos anteriores está sendo cobrado agora.
“A situação do Avaí é emergencial, é uma gestão de crise, porque nós temos dificuldades salariais pendentes, nós temos as pessoas sofrendo aqui no Avaí por causa disso”, admitiu Pessi.
A realidade bate tão forte que o clube já flerta, segundo o dirigente, com as punições do fair play financeiro da CBF, motivando uma viagem emergencial ao Rio de Janeiro.
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Para tentar estancar a sangria sem o dinheiro imediato de negociações que travavam nos bastidores — como a do jovem zagueiro Baldini —, a alternativa tem sido criatividade e pé no chão. A busca por atletas jovens e de baixo custo, como o lateral William Fernando, de 20 anos, que vai chegar do Cruzeiro, desenha o tamanho do cobertor na Ressacada, que é curto e sem espaço para aventuras.
“A gente precisa ao mesmo tempo encarar a realidade, ver o quão é difícil o Avaí na posição financeira que está”, pontuou o dirigente, isolando o problema financeiro da saída do atacante Avenatti, que se deu por problemas pessoais – de acordo com Pessi.
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Por fim, o movimento de Pessi ao convocar o Conselho Deliberativo para uma reunião extraordinária é um banho de transparência, mas também uma convocação de responsabilidade para quem costuma criticar as gestões e reclamar da condição do clube.
Ao expor a real condição atual do Avaí, o presidente divide o peso do com as forças políticas da Ressacada. É uma postura madura para quem assumiu um clube gigante em frangalhos. Admitir que o Avaí sem a união de conselheiros, empresários e torcedores, pode sofrer consequências na Série B e no extracampo é convocar os avaianos à ação pelo clube.
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