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Loetz

Entrevista

As lições e ensinamentos de Henrique Loyola

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Por Loetz
22/07/2019 - 16h36 - Atualizada em: 22/07/2019 - 16h40
Loyola é controlador de grandes empresas, como a Cia. Fabril Lepper e a Fiação São Bento (Foto: Salmo Duarte)

José Henrique Carneiro de Loyola, ou apenas Henrique Loyola, como prefere ser chamado, é o personagem de estreia de uma série de entrevistas a serem publicadas todas às segundas-feiras nas próximas vinte semanas em comemoração aos 20 anos desta coluna.

Em meio a quadros, documentos e fotos – uma delas onde ele e a mulher Helga são recepcionados pelo Papa Francisco –, Loyola fez questão de mostrar ofício lhe concedendo a Medalha do Pacificador recebida pelo Exército brasileiro. “A mesma medalha que o presidente Bolsonaro ganhou em maio deste ano”, diz.

Loyola e a mulher Helga recepcionados pelo Papa Francisco
Loyola e a mulher Helga recepcionados pelo Papa Francisco
(Foto: )

Henrique Loyola foi senador, secretário de Estado e vice-prefeito de Joinville. É controlador de grandes empresas, como a Cia. Fabril Lepper e a Fiação São Bento. Nascido em 1932, em Joinville, presidiu a Acij (onde criou a Fundação Empreender), o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville e a Escola Técnica Tupy. Foi secretário estadual da Indústria, Comércio e Turismo de 1989 a 1991 e nesse período teve como grande desafio implantar o Prodec. 

Confira a entrevista completa

O senhor é uma das principais lideranças empresariais de SC, ouvido por muita gente, há 50 anos. Quais características têm de ter o líder? 

Henrique Loyola – O líder tem de ser arrojado, diferenciado e inovador. Arrojo é fundamental. O líder tem de ir pessoalmente difundir seu pensamento, bater e abrir portas. Tem de defender suas opiniões e teses. Ser diferenciado significa estar atento a tudo. O líder não pode ficar parado. Viajo o mundo todo, há anos. Quando chego ao destino alugo um carro e vou conhecendo lugares e conversando com as pessoas. É a forma de aprender e se conhecer povos e sociedades.

O terceiro elemento que o senhor citou é ser inovador. O que quer dizer com isso, já que a palavra é usada para quase tudo, hoje?

Loyola – Quando assumi o comando da Cia.Fabril Lepper eu tinha 29 anos. A Lepper estava na falência. Tinha duplicata vencida há dois anos e que estava na gaveta do gestor anterior. Não tinha nem balanço para se verificar a situação financeira.

E o que fez para sanear as contas?

Loyola – Vendi 10% do capital da companhia. Era um ato corajoso, inovador porque a situação era de caos, a empresa estava insolvente. Os recursos captados com a negociação salvaram a empresa no curto prazo e nos deu tempo para encaminhar o futuro.

Como a tecnologia ajudou a Lepper?

Loyola – Certa vez fui a uma feira comprar a primeira máquina de tecido de renda. Você lembra daquela propaganda da Rhodia, do senta-levanta/senta-levanta? Era para divulgar peça de tergal, que não amassava. Aí surgiu a ideia de fazer toalhas com fio que comprava da Rhodia. Isso foi inovador.

Juarez Machado fez parte de um projeto da Lepper?

Loyola – Sim. Fui falar com Juarez Machado no Rio de Janeiro, onde ele morava. Pedi para ele pintar bicicletas (à época, Joinville era conhecida como “Cidade das bicicletas”), e a Lepper foi a primeira fabricante de pano a vender seu produto em caixa de papelão, agregando um item de arte. Todas essas iniciativas geraram valor adicional ao que fabricávamos.

Pela sua experiência pessoal, o que um jovem deve fazer para se tornar um empresário de sucesso?

Loyola – O jovem tem de ser destemido. Para mim não tinha barreiras. E, claro, qualquer empreendedor tem de enfrentar os desafios. O empreendedor tem de ter a capacidade de procurar, diretamente, quem manda. Era o que eu fazia.

O que um empresário não pode fazer?

Loyola – Ele não pode desconhecer dados de balanços. Para ser um bom administrador tem de ter experiência na área contábil, tem de entender os números. É fundamental. 

Qual foi o momento profissional que ficou marcado como o mais relevante de sua história?

Loyola – O momento mais marcante foi quando eu quebrei todas as máquinas de uma fábrica, a Fiação São Bento, em São Bento do Sul, e adquiri todo o maquinário novo, na Alemanha. Com isso, passamos a produção de 80 toneladas/mês para 350 toneladas/mês, na época. Quatro vezes mais. Foi o mais marcante. Nunca tinha feito isso e não conheço ninguém que tenha feito. Foi uma ousadia que permitiu aumentar muito a produção com o mesmo custo fixo.

Ousadia é essencial para empreender? 

Loyola – Exatamente. Antes de trabalhar na Lepper trabalhei em banco, no Banco Comercial do Paraná. Certa ocasião demonstrei aos superiores que o banco precisava recolher um tributo que não era pago há cinco anos por desconhecimento da legislação. E fui promovido a gerente de banco aos 24 anos, em Joinville, num tempo em que o cargo tinha muito mais status do que hoje. O empresário tem de botar a mão na massa!

É possível planejar o sucesso nas empresas?

Loyola – Não. Há fatores externos que são incontroláveis. Como ações de governos, por exemplo. Isso está fora do alcance. 

Loyola também presidiu o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville
Loyola também presidiu o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville
(Foto: )

Quem foi tua referência inicial?

Loyola – Henrique Douat, do grupo H. Douat. Ele era um exemplo para mim. Ele sempre me dizia que era essencial ter reserva. Eu, garoto, queria entender o que isso significava. Ele tem razão. Ter reserva (financeira) é fundamental; é uma necessidade obrigatória se prevenir para o futuro. E meu pai também era um modelo. Fazia tudo no interesse comunitário. Instalou o primeiro elevador em Joinville – no prédio Pedro Sales. Muita gente acha que foi no edifício Manchester. Não foi. Meu pai abriu a BR-101, eletrificou várias cidades...

O senhor também atuou com uma empresa de informática.

Loyola – Foi na década de 80 com a Manchester Processamento de Dados. Fui procurar o João Hansen Neto, o Wittich Freitag e outros empresários , dizer que as empresas precisavam ter computador para dar agilidade à operação. Algo revolucionário para aquele momento. Em Joinville só a Tupy tinha um computador. 

Qual seu maior erro?

Loyola – O maior problema foi com a Manchester Corretora de Câmbio e Títulos e Valores Mobiliários. Um corretor deu o cano, me deu um grande prejuízo e tive de vender imóvel e outros bens para pagar a dívida. Isso foi superado porque tinha patrimônio. 

Qual o maior acerto?

Loyola – Foi ter casado com a Helga. Ela não deixou eu ir morar em Brasília. Nos negócios o maior acerto sempre foi investir constantemente na empresa. Isso é fundamental. Sempre que podia eu investia no aumento de capital da Lepper.

O senhor tinha dinheiro quando jovem para comprar ações da companhia?

Loyola – Quando vim para a Lepper eu não tinha nenhuma ação da companhia. Vendi uma motocicleta, e assim comprei as minhas primeiras ações. Um pouco depois, vendi um carro SP2 – o carro da moda naquele tempo – e adquiri mais alguns lotes de ações. 

Quem é teu guru, alguém em quem o senhor se inspira?

Loyola – Sem dúvida, Paulo Medeiros, o advogado. Ele foi meu segundo pai. Ele me orientou muito. Lembro que pensei em sair da Lepper, ir embora de Joinville. Isso foi entre 1962 e 1964. Ele me disse: “Sair é uma decisão tua; voltar é decisão deles, dos outros acionistas.”

O que aprendeu com ele?

Loyola – Aprendi, por exemplo, que só se deve tomar alguma decisão que se pode reverter. Paulo Medeiros me deu soluções práticas no mundo dos negócios. 

Que momento pessoal o senhor considera o mais marcante de sua trajetória pessoal?

Loyola – Foi, sem dúvida, ter recebido a bênção do Papa Francisco, em novembro de 2016, no Vaticano, com a minha esposa Helga. Foi o reconhecimento da Igreja pelas obras feitas em favor dela e dos mais necessitados. Como a doação e transferência da Fundação 12 de Outubro, que construiu dois ancionatos (o Lar Betânia e o Residencial Ventura); recuperou o Lar Abdon Batista integralmente para as crianças. A fundação foi criada há mais de 30 anos para atender a idosos e crianças. Em São Bento do Sul viabilizei, com a doação dos terrenos para a construção, uma escola de formação profissional, e o Caic.

Qual é a importância dos relacionamentos para a evolução dos negócios?

Loyola – O empresário precisa ter bons relacionamentos. É bom que tenha, também, relacionamentos no meio político. Meu pai, por exemplo, conheceu toda a elite brasileira por estudar na Escola Militar de Barbacena, em Minas Gerais. A rede de relacionamentos abre muitas portas.

Qual o seu livro preferido, que te inspira até hoje?

Loyola – Gosto muito do pensamento do ex-ministro Roberto Campos. Um liberal na essência. O livro “Lanterna na Popa”.

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Cláudio Loetz

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Claudio Loetz é um dos mais renomados colunistas de economia do Sul do Brasil. Com textos analíticos e informativos, é a principal fonte de informação para os interessados em negócios em Joinville e região.

claudio.loetz@somosnsc.com.br

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