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Décio da Silva: “O líder deve ter visão de futuro”

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Loetz
Por Loetz
09/12/2019 - 15h51 - Atualizada em: 09/12/2019 - 15h56
Presidente do Conselho de Administração da WEG, Décio da Silva
(Foto: Divulgação)

Esta entrevista exclusiva do presidente do Conselho de Administração da WEG, Décio da Silva, encerra a série de 20 grandes entrevistas com algumas das principais lideranças empresariais de Joinville e da região Norte de Santa Catarina que marcam os 20 anos da coluna. Décio ensina que as oportunidades de negócios estão alinhadas com as tendências de futuro. Afirma que as empresas que nunca mudam não abrem espaço à inovação e adverte: subestimar os riscos pode levar à falência.

O que é liderança? Quais devem ser as características que um líder deve ter?

Um líder precisa sonhar grande, deve ter visão de futuro e planos para atingi-los. Precisa ser coerente, alinhar o discurso com a prática. Saber ouvir e ter humildade para aprender continuadamente. Precisa ser apaixonado pelo que faz e conseguir contagiar toda a equipe, isso gera comprometimento, um dos fatores chaves para atingir os resultados.

O que aprendeu ao empreender?

Naturalmente muitos empreendedores têm habilidades natas, outros precisam desenvolver, o que é absolutamente possível ao longo da carreira. O exercício prático, a construção do projeto e o caminho percorrido no dia a dia são fundamentais para o desenvolvimento da capacidade de empreender.

O que precisa acontecer para um jovem se transformar em um empresário de sucesso?

Uma boa formação acadêmica hoje é condição sine qua non para os jovens. No passado isso não era mandatório. Muitos empresários se destacaram por habilidades natas, mas hoje a realidade empresarial exige capacitação adequada. Importante lembrar que isso é necessário, mas não é o suficiente. Para se tornar um empresário de sucesso, é preciso disciplina, resiliência e principalmente trabalhar duro. Costumo dizer que a carreira de um empresário é basicamente 5% é de inspiração e 95% de transpiração. Quanto mais cedo os jovens tiverem contato com as atividades práticas, mesmo enquanto estudantes, mais rápido será o processo de amadurecimento e aprendizado empresarial.

O que um empresário não deve fazer? O que dá errado?

Uma empresa não pode não mudar nunca, mas também não pode mudar continuadamente as lideranças. É preciso ter um equilíbrio. É fundamental ter um plano de sucessão para todos cargos. Empresas que não mudam nunca têm pouco espaço para inovação. Empresas que mudam sempre não dão tempo para a curva de aprendizagem e nem para sedimentar a cultura empresarial. Outro ponto importante: é preciso avaliar continuadamente todos os riscos internos da organização e externos, que podem afetar o planejamento. Normalmente as companhias entram em dificuldades ou quebram por gestores subestimarem os riscos.

Quais são as oportunidades que não se deve desperdiçar nos negócios?

São as oportunidade alinhadas com as tendências do futuro. Aqui na WEG inovamos permanentemente em todas as áreas e incorporamos todos os anos em nosso portfólio novos produtos e negócios. Nosso percentual do faturamento com produtos lançados nos últimos cinco anos (índice de inovação tecnológica) tem sido mantido em torno de 50%, variando pouco para cima ou para baixo, dependendo da nova linha de produto introduzida no mercado. O indicador mostra a vitalidade da empresa. Estamos apostando nas grandes tendências relacionadas a energias renováveis, eficiência energética, geração de energia através da queima do lixo, mobilidade elétrica e indústria 4.0. Temos metas desafiadoras de crescimento para todos os negócios. Estamos sempre olhando lá na frente.

É possível planejar o sucesso?

O sucesso depende muito do que isso significa para cada organização. No mundo de hoje o investidor cobra não só o crescimento da receita, do lucro ou do valor patrimonial e de mercado da empresa, mas também a capacidade de gerar valor para os demais stakeholders: colaboradores, comunidade, meio ambiente, clientes e fornecedores. Para conquistar tudo isso, é necessário muito planejamento, esforço, dedicação, abdicação e, por que não, sorte também. Afinal, quando você está no lugar certo e na hora certa, você é uma pessoa de sorte, não é?

Qual foi o maior acerto?

Em primeiro lugar, sempre ouvir as pessoas mais experientes do que eu, e considerar a opinião delas. Depois, construir uma equipe com pessoas capacitadas e motivadas com o projeto. Em terceiro lugar, considero o tripé: internacionalização, crescimento continuado e desenvolvimento de tecnologia e novos produtos. Estes três fatores impulsionam a companhia a gerar cada vez mais valor ao acionista e cada vez mais oportunidades para as pessoas. Só quem cresce gera oportunidade. E oportunidade hoje é o maior fator de motivação para as pessoas. Quem vai querer trabalhar numa empresa que tem que esperar o chefe sair ou se aposentar para ser promovido?

Décio: empresas que nunca mudam lideranças têm pouco espaço para inovar; as que mudam sempre não dão tempo para a curva de aprendizagem
Décio: empresas que nunca mudam lideranças têm pouco espaço para inovar; as que mudam sempre não dão tempo para a curva de aprendizagem
(Foto: )

E qual foi o maior erro?

Apesar do crescimento médio da WEG ter sido superior a 20% ao ano durante os 18 anos em que estive na presidência, hoje, quando olho para trás, penso que poderíamos ter tido um equilíbrio melhor entre oportunidades e riscos. Poderíamos ter crescido mais.

Quem você considera como guru?

Tive o privilégio de ter três grandes gurus: Werner (Voigt), Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus – os três fundadores da WEG. Com eles, aprendi que o mercado é muito competitivo, os desafios são grandes e exigem muito esforço conjunto. Não podemos desperdiçar energia com diferenças pessoais, egos ou qualquer outra coisa que tire a harmonia da organização e a atenção do negócio. Discussões e divergências são necessárias e saudáveis, desde que o debate aconteça no campo das ideias, onde o objetivo seja sempre em favor do crescimento da companhia.

Qual é a importância do associativismo para a evolução dos negócios?

O associativismo é relevante tanto para aglutinar forças na luta por interesses comuns da sociedade, quanto para a construção de relacionamentos no mundo dos negócios e enriquecimento do capital intelectual. Questões de infraestrutura, melhorias nos serviços de saúde e educação são reivindicações de interesse comum, que podem ser potencializadas quando discutidas em grupo.

Na essência, o que mudou no pensamento e na prática ao longo dos últimos 20 anos? Mudou o meu entendimento sobre a velocidade acelerada com que estão ocorrendo as mudanças tecnológicas e a transformação dos hábitos dos consumidores.

Qual é o livro inspirador? Invisto muito tempo na leitura de relatórios e conteúdo dos negócios e de tecnologias relacionadas aos setores em que estamos envolvidos. Livros, gosto de diversificar. Não tenho um específico, leio livros de negócios, romances e biografias.

​​Confira todas as entrevistas da série

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Cláudio Loetz

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Claudio Loetz é um dos mais renomados colunistas de economia do Sul do Brasil. Com textos analíticos e informativos, é a principal fonte de informação para os interessados em negócios em Joinville e região.

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