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    SUJEIRA 

    A Praça é do povo, mas a responsabilidade em mantê-la também

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    Mário
    Por Mário Motta
    21/02/2020 - 10h39 - Atualizada em: 21/02/2020 - 16h45
    praça xv.
    Carnaval na Praça XV. (Foto: Caio Marcelo / Agencia RBS)

    Ver a Praça XV “enlatada”, em pleno pico do Verão/Carnaval, concordo: é uma cena desagradável, mas que nos leva a raciocinar. Gera revolta quase que instantânea. Afinal, é o coração da cidade, o solo “sagrado” representativo da identidade florianopolitana.

    Fui pesquisar, ouvir as pessoas nas ruas e as autoridades responsáveis. Observei que a opinião é unânime, ou seja, ninguém está feliz ou sente prazer com a situação. É preciso mudar.

    Os Fatos

    O vídeo que posto aqui na coluna é um triste documento histórico de como a nossa praça ficou após o último Carnaval em que permaneceu aberta, sem os tapumes de proteção.

    As imagens mostram apenas o volume de lixo, mas houve também depredação de canteiros, bancos e até árvores de porte médio vieram abaixo. Sim, são milhares de pessoas que circulam pelo pedaço no período carnavalesco. Mas não seria possível evitar — ou mesmo amenizar — tamanho descaso para com o nosso cartão postal? A que ponto chegamos?

    As Circunstâncias

    Fiscalizar milhares de foliões durante todos os momentos e por toda a praça, convenhamos, seria a alternativa primeira que nos vem como solução, mas de difícil execução com resultados positivos práticos.

    A solução encontrada está longe de ser a ideal; é paliativa e incompleta. Definida, ameniza a situação de forma circunstancial. O bom senso nos aponta que não resolve, mas alivia, previne o estrago.

    O Pós-Carnaval:

    O desafio, tão logo termine o período carnavalesco, envolve investimentos, não em novas placas, tapumes, e, sim, em uma ampla campanha educativa e de conscientização popular de “Amor e responsabilidade pela nossa Praça XV”.

    Tá, você poderá dizer que eu estou sendo ingênuo ou que “descobri a roda”. Mas convenhamos, se as autoridades responsáveis (iniciativa pública e privada) pelo espaço que é do povo, como tão bem nos mostra os versos de Caetano Veloso, não apostar na transformação através da educação, com certeza, em 2021, todos nós — nativos, moradores e turistas — teremos que conviver novamente com esta sensação de invasão e cerceamento do uso livre da praça.

    Liberdade nos remete à responsabilidade

    E a situação que o vídeo mostra só será modificada através da mudança de postura, da transformação educativa que pode e deve ser estimulada ao longo do ano todo.

    Outra humilde sugestão: porque não utilizar já, neste ano de “enlatamento” novamente da praça, os tapumes de lata para levar mensagens educativas, construtivas sobre os cuidados, o bom senso e a responsabilidade de cada um para o bem coletivo? Desenhos, grafites, cartazes, além de motivarem a conscientização (que sabemos, é lenta e gradativa), enfeitariam esteticamente e valorizariam artistas populares de nossa cidade.

    Sem qualquer intenção moralista, político partidária ou algo polarizado nestes tempos de muito ódio e pouco amor, deixo aqui uma frase que ouvi de um frequentador bastante conhecido de nossa Praça XV e que me reservo o anonimato: “Quebre o que é teu, arrebente as flores, as árvores, os bancos, jogue lixo por todos os lugares da praça...e os ratos e as baratas irão lhe agradecer em sua casa amanhã. Preferimos as placas de lata?”.

    Vamos todos “desenlatar” a nossa praça no próximo ano? É possível.

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