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    Coronavírus: o anarquista das letras ajuda a alimentar o espírito em SC

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    Mário
    Por Mário Motta
    16/05/2020 - 16h36 - Atualizada em: 18/05/2020 - 09h29
    nelson-rolim-de-moura-1
    Foto: Arquivo Pessoal

    Abro o Facebook e deparo-me com essa foto no perfil do editor Nelson Rolin de Moura. A legenda limpa, breve, incisiva e sem rodeios, reproduz claramente as ações dele.

    Leio emocionado:

    “Com muita alegria doamos 360 livros da Editora Insular para a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição distribuir com cestas básicas às famílias dos Morros do Horácio, Santa Vitória e do 25.”

    Ora bolas, em meio à pandemia de um vírus ainda desconhecido, aumento acelerado de desemprego, nos deparamos com a possibilidade de receber em casa uma cesta básica não importa por quem... pergunto: "Quem iria doar livros para comunidades carentes, muitas das quais sequer têm água tratada e sabão para lavar as mãos, ato mais simples e protetor nos dias atuais?".

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    A resposta surge bem refletida: somente um ser humano diferenciado, com uma visão de mundo que foi esculpida pela vivência sofrida de um anarquista histórico, inconformado com a desigualdade social e que lutou a vida toda com as armas que tem para melhorar as condições dos compatriotas. E as armas deste guerreiro, nas últimas décadas, são os livros.

    Livros que ele edita e distribui com a energia de uma criança, superando todas as dificuldades e estatísticas negativas de um país em que poucos escrevem e menos ainda leem. Mas talvez sejam eles, os livros, os instrumentos mais potentes para mudar o mundo. Ou melhor, para mudar pessoas. Pessoas mudam o mundo. Por isso, a foto do Nelson chama minha atenção.

    Confesso que me emociono imaginando aquelas caixas chegando ao Morro do Horácio, Santa Vitória, 25. Os voluntários da Irmandade distribuindo as cestas básicas com os livros (alimentos para o espírito), pacotes que carregam outros tipos de alimentos para o corpo sendo recebidos nas pequenas e acanhadas casas de quem luta diariamente para sobreviver.

    É possível que muitos nem consigam compreender o que é "aquilo de papel" que veio junto da comida. O analfabetismo ainda é um vírus altamente perigoso que assola nosso país e contamina nosso povo. Mas, se alguns jovens, quem sabe estimulados pelos mais idosos experientes ou pelas valorosas mães, pelas famílias, vibrarem com o que estão recebendo, com certeza, a iniciativa do "anarquista das letras" já será vitoriosa.

    Aquele que ama tanto os livros e esta ilha abençoada que recebeu o Nelson Rolin na mesma época em que eu chegava em Santa Catarina, vindo do interior paulista, e que serviu de inspiração dando nome a sua editora: Insular.

    Para as crianças, tomo emprestada a frase de Rubem Alves:

    Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar".

    Para todos os demais, Padre Vieira:

    O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive".

    Para Nelson Rolin de Moura, meu carinho, minha gratidão e meu respeito.

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