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    USO DE MÁSCARAS 

    Coronavírus: se tivéssemos usado máscaras desde o início?

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    Mário
    Por Mário Motta
    30/04/2020 - 14h07 - Atualizada em: 30/04/2020 - 14h37
    máscara.
    Não podemos desperdiçar conhecimentos que essa pandemia está nos proporcionando (Foto: Senai / Divulgação)

    Recebi um e-mail de uma querida leitora sobre um assunto que também mexeu muito comigo desde os primeiros dias de isolamento: o uso de máscaras.

    Lembro-me de ter abordado o assunto, mesmo quando as autoridades da saúde diziam “oficialmente” que as máscaras deveriam ser exclusividade dos agentes da área (médicos, enfermeiros, técnicos, etc) e de quem já apresentava sintomas.

    Naqueles dias, recebi um vídeo produzido na República Tcheca, mostrando que a única atitude diferente tomada por lá, em relação aos demais países da Europa, era exatamente o uso de máscaras (caseiras) pela população. A campanha ganhou as ruas, contou com a cultura de enfrentamento histórico de guerras e dificuldades do povo tornando-se um imenso sucesso. Prevenir e proteger. O uso das máscaras fez a diferença.

    Claro também que alertaram para o fato de que as máscaras não seriam (como não são) panaceia para todos os males da Covid-19 e sozinhas não conseguiriam proteger num percentual tão elevado que justificasse uma “obrigatoriedade”, mas certamente ajudariam -e muito- na diminuição da transmissão entre as pessoas que precisassem sair de casa por qualquer que fosse o motivo.

    ​> Em site especial, leia mais sobre o coronavírus

    Recordo que, como não se tratava de um vídeo produzido pela OMS, pelo Ministério da Saúde ou qualquer outro órgão “oficial”, não deveria dar-lhe divulgação e credibilidade, exatamente pela falta dessa “chancela” que lhe garantiria a segurança real de um conselho sério. Mas, é evidente que temos o bom senso, temos a capacidade de tentar compreender até onde uma iniciativa como aquela poderia ter interesses duvidosos capaz de causar problemas ou danos se fosse divulgada.

    Logo em seguida, um novo vídeo, produzido em Hong Kong, também enaltecia o uso das máscaras pela população e por aqui o conselho ainda era o mesmo: “Máscaras profissionais, por agentes de saúde apenas. E ponto final!”.

    Aliás, as máscaras “oficiais”, "cirúrgicas" - produzidas industrialmente de acordo com as normas da ABNT - sumiram das farmácias e somente 3 ou 4 semanas depois as pessoas foram percebendo (viralizou nas redes sociais) o fato de que cada um poderia confeccionar a sua própria máscara de forma artesanal, caseira, ou semi-industrial e que por menor que fosse seu percentual de proteção, seria muito melhor do que "nada" sobre o rosto. Melhor prevenir do que nem ter como remediar.

    Reproduzo aqui o e-mail dessa querida leitora. Preservo seu nome porque o que mais me interessa (e tenho certeza também a ela), é expressar o seu pensamento, com o qual concordo totalmente.

    Máscaras artesanais - fenômeno mundial.
    Máscaras artesanais - fenômeno mundial.
    (Foto: )

    “Boa tarde Mário,

    Desculpe pela intimidade, mas me dou este direito, pois sou sua admiradora e expectadora. Desculpe também pelo jeito simples de me expressar. Meu nome é (...), tenho 53 anos, estou trabalhando em casa pois tenho pressão alta.

    Dias antes do decreto de isolamento por parte do governo, amigos e familiares, me recomendavam não sair para o trabalho, pois como já citei, sou hipertensa e faço uso de três ônibus por dia, uma vez que moro na ilha e trabalho no Estreito, próximo ao Detran. Eu respondia que iria trabalhar sim, mas levaria meu álcool, lavaria as mãos na troca de terminais e usaria máscara, uma vez que não sabemos quem tem ou não o vírus. Mas veio o decreto e ficamos em casa.

    Mas a OMS, os especialistas, os infectologistas e todos os demais "istas" diziam:

    "O uso de máscara é só para profissionais da saúde e pessoas com sintomas".

    Como assim? É um vírus ... E não é qualquer um ... Em muitos casos é letal ... E nem todos apresentam sintomas. É uma doença nova, sim, entre aspas, pois já havia o exemplo de outros países em relação ao contágio e mortandade e afinal de contas é vírus e todos sabem como se transmite.

    Na minha opinião, Mário, não foi um erro e sim um crime a recomendação de não usar máscara e a prova disto é que agora o uso é obrigatório. Enfim, se desde o início, se todos usassem, teríamos menos doentes, menos leitos ocupados, menos mortes, menos desempregos, menos gastos públicos e menos famílias chorando a perda dos seus entes queridos.

    Mario, mais uma vez me desculpe, não tenho nenhuma pretensão ao enviar este e-mail a não ser expressar a minha opinião, indignação e minha raiva. Tomara Deus que não tenhamos que passar por outra calamidade deste gênero nesta vida, mas se acontecer, fica a dica: lave as mãos, use álcool, isolamento se possível e use máscara desde o primeiro momento.

    Atenciosamente, (...)”

    Sou muito grato por essa mensagem

    Creio que nossa missão é informar, mas também é provocar e estimular nossos leitores, ouvintes e telespectadores a compreenderem os fatos, descobrirem até onde eles caminham na direção correta, adequada e de que forma cada um de nós pode contribuir para encontrar o melhor caminho. Se for um problema, que tentemos encontrar ou sugerir soluções. Mesmo que – eventualmente - essas sugestões conflitem com as “orientações oficiais”.

    Nesse caso, o ideal é refletir, trocar ideias com outras pessoas que pensem iguais ou diferentemente de você; mas nunca calar-se, silenciar-se. E se alguma coisa não ficar bem clara, segura e positiva, acatar as possíveis opiniões de melhor qualidade e adequação ao problema.

    Poderia comparar essas determinações oficiais com as "leis", não?

    As leis foram feitas para serem ... cumpridas.

    Óbvio.

    Mas também para serem analisadas e questionadas, pois elas são “vivas”, orgânicas e refletem o tempo em que foram escritas e aprovadas. E os tempos mudam...

    Portanto – se uma Lei estiver em vigor, cumpra-a, mas - se tiveres alguma dúvida do que elas defendem ou impõem no momento histórico em que você está vivendo, não deixe de questioná-las.

    Livre-arbítrio está na base do processo democrático. E em nossa Constituição.

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