Qual é a primeira coisa que você faz quando acorda pela manhã? Se você pensou em “eu desbloqueio meu celular e confiro as redes sociais” ou em variações como “checo a agenda do dia” ou “respondo as mensagens do WhatsApp” e ainda “leio as notícias”, saiba que você vive num mundo hiperconectado!

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Devido a esta hiperconexão, a internet modifica a forma como a informação circula e transforma a relação das pessoas com a tecnologia. O intercâmbio de busca pelo conhecimento mediado pela tecnologia é extremamente efervescente e desperta o interesse de grandes players da tecnologia e das comunicações, é neste contexto que ressurgem Laboratórios de Mídia, também conhecidos como Media Labs.

Especialmente em Santa Catarina, onde o ecossistema de inovação vem acelerando o desenvolvimento de empresas de tecnologia, a comunicação através das Mídias Digitais têm ganhado cada vez mais evidência. Pensando nisso, convidamos a pesquisadora da UFSC e especialista em Laboratórios de Mídia, Larissa Gaspar para falar um pouco sobre esses Labs.

Foi no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachusetts em 1985 que o primeiro Media Lab foi criado. Inspirados no modelo do MIT, diversos laboratórios foram surgindo pelo mundo, desde então, esses Media Labs passaram a atuar como Laboratórios de Mediação Cidadã, focando principalmente em mediar as práticas interdisciplinares, conectando diversas especialidades e culturas diferentes.

Mídia e Mediação:

Antes de detalhar o que são estes laboratórios e a sua importância para promover a inovação em ambientes tecnológicos, é necessário entender o que é Mídia e o que é Mediação

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Numa dimensão técnico-física, a mídia é uma tecnologia que permite a comunicação. Nesta perspectiva, um smartphone e uma rede social são mídia. Já numa dimensão sociocultural, a mídia configura um conjunto de práticas socioculturais que crescem em torno da tecnologia. O “código de etiqueta” de uso das redes sociais é um exemplo disso. Assim, mídia também é mediação. É a mediação que importa nos laboratórios de mídia.

Numa visão contemporânea, um Media Lab incorpora a influência tecnológica e a transformação social de um Lab em direção a uma sociedade que é mais ativamente explorada. Esta evolução significa que a parte “mídia” desses laboratórios não se concentra mais no conceito de mídia de massa, mas de mediação.

O que é um media labs:

Um Media Lab atua como um centro interdisciplinar de pesquisa, onde as tecnologias digitais são aplicadas com criatividade, contribuindo assim com a sociedade da informação. Neste espaço, há uma necessidade de facilitar a troca de ideias e estabelecer melhores práticas para ajudar no bootstrapping – um negócio que começa com recursos limitados, sem o apoio de investidores -, compartilhar a compreensão cultural e disciplinas científicas.

Além disso, uma das principais características de um laboratório de mídia, principalmente quando este está dentro de um ambiente inovador, é ser um espaço centrado nas pessoas. Com a centralização nas pessoas, é possível conquistar resultados palpáveis, porém, justificar o tempo destinado no desenvolvimento dos processos produtivos, ao invés de produtos para stakeholders (partes-interessadas), pode ser uma desvantagem.

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Falta de conexão:

Mesmo que o ecossistema de inovação de Florianópolis seja referência para o restante do Brasil em termos de articulação, condições como a dificuldade de comunicação e a falta de mobilização afetam o setor de forma negativa, fazendo com que se acumulem iniciativas isoladas ou sobrepostas, impactando a dinâmica do ecossistema.

Em uma análise de representatividade de mercado, Florianópolis conta hoje com 900 empresas de tecnologia, 750 empreendedores a cada 100 habitantes e um faturamento no setor de inovação de R$ 5,4 bilhões, segundo dados da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).

Capital dos aprendizados:

Florianópolis pode ser caracterizada como uma indústria em necessidade de novas soluções, mas, ao mesmo tempo, representa um terreno fértil para espaços de ensino-aprendizagem mais abertos. Isso se deve ao ambiente universitário combinado ao ambiente de startups que, além de tudo, possui uma legislação que incentiva essa relação. Um media lab pode potencializar uma mudança de atitude dos atores do ecossistema de inovação da capital, visando à conexão e educação.

Por serem ancorados na cooperação e na experimentação, os media labs possuem “guarda-chuvas” espaçosos que relacionam pesquisa aplicada e prática criativa. Apesar de sua estrutura flexível, eles podem assumir faces mais homogêneas e atuarem com foco na resolução de um problema específico a curto e médio prazo. Assim, a dica aqui é: os centros de inovação que entenderem a necessidade de permitir uma participação real e ativa da comunidade nos conteúdos e suas propostas, ou na geração de projetos que crescem e geram inovação serão bem sucedidos em seus propósitos.

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*As informações contidas neste material têm como base artigos acadêmicos de autoria da Larissa Gaspar, especialista em Laboratórios de Mídia e pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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