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    Coronavírus: a enchente sem água

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    Por Pancho
    21/03/2020 - 07h10 - Atualizada em: 21/03/2020 - 09h03
    Ruas vazias em Blumenau durante o avanço do coronavírus
    O silêncio das ruas hoje é semelhante ao de grandes enchentes, como as de 1983 e 1984. Foto: Pancho

    É difícil ficar em casa sem uma barreira física como a que estamos acostumados quando a água do rio invade as ruas. Na verdade, o que vivemos hoje em muito se assemelha a uma enchente, mas com alguns aspectos bem diferentes e outros ainda desconhecidos. Se costumeiramente a ameaça vem em forma de água, desta vez ela é invisível. E não só isso. Ela pode atingir até mesmo os pontos mais altos da cidade. Sem que percebamos.

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    Na enchente o nível do rio aumenta a olhos vistos e as medições são feitas em tempo real. Já com o coronavírus os números chegam com atraso de cerca de uma semana porque tudo demora. Em especial os sintomas e os resultados dos testes. A estatística de hoje é na realidade um retrato do que ocorreu na semana passada. Estamos sempre atrasados em relação à realidade.

    A enchente tem história. Acompanha gerações que sabem lidar com o problema, como se as corretas medidas de enfrentamento estivessem no sangue. A repetição nos deu experiência e conhecimento. Sabemos como conviver com as águas.

    Uma pandemia é o desconhecido. O único contato foi em obras de ficção nas páginas e telas e, no máximo, algo semelhante ocorria longe, a meio mundo de distância.

    Comportamento

    As reações são semelhantes nas duas situações. Parte da população não se preocupa tanto porque tem a sensação de que o vírus não é ameaça. Mantém hábitos sabidamente perigosos e ignora o alerta de que o vírus vai se espalhar, e desta vez sem os limites demográficos que barram as águas dos rios.

    O corre-corre aos supermercados deve ter sido instintivo. Estamos acostumados ao fato de que eles possivelmente ficarão inacessíveis ou terão as portas fechadas. Felizmente isso não deve ocorrer e a corrida às gôndolas não tem amparo.

    Uma vez mais o que pode fazer a diferença na hora de lidar com essa situação é a solidariedade. E hoje ela deve aparecer por outros caminhos. Em vez de sairmos para ajudar os outros, permanecer em casa é o melhor a fazer. Se um abraço era alento para quem perdeu os móveis e pertences, hoje o aceno e o sorriso são mais prudentes.

    Isolamento

    Essa situação de emergência será longa. Mais do que aquela de 1983 que manteve a região alagada por cerca de um mês. A vantagem é que temos água, luz e informação. Acompanhamos em tempo real como essa tragédia assola o restante do planeta e temos o tempo e o conhecimento como nossos aliados.

    Informar-se corretamente é essencial. Ignore notícias falsas que tanto prejuízo nos trouxeram nas enchentes que conhecemos. Proteja os mais vulneráveis e, mais do que tudo, evite contato físico com os demais. O abraço, o beijo e o toque fazem hoje tão mal quanto a chuva em época de enchente. A boa notícia é que pela primeira vez temos o poder de fazer a água baixar. Tenham isso em mente.

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