nsc
    nsc

    Cidade

    Moradores do bairro Vila Nova protestam contra construção dos maiores prédios de Blumenau

    Compartilhe

    Por Pancho
    07/12/2019 - 08h30
    Torres da Torresanis
    Torres terão mais de 150 metros de altura. Foto: reprodução EIV

    Moradores do bairro Vila Nova, em Blumenau, estão mobilizados contra a construção de dois prédios residenciais cujo projeto tramita na prefeitura de Blumenau. Houve participação expressiva deles na audiência pública que apresentou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) do empreendimento, em novembro, e também na reunião do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Coplan) na quarta-feira passada. Os conselheiros analisariam o EIV e decidiriam pela aprovação ou não do empreendimento, mas a votação foi adiada por 90 dias a pedido dos moradores e com a anuência da Torresani, construtora responsável pelo projeto.

    O projeto prevê a construção de duas torres residenciais no final da Rua Teófilo Otoni, uma transversal sem saída da Rua Almirante Barroso. Cada torre terá mais de 150 metros de altura com 32 pavimentos e 220 apartamentos, além de 664 vagas na garagem para os moradores.

    Em altura, os prédios serão maiores que o Grand Trianon, no bairro Ponta Aguda, e o Hermann Blumenau, no Victor Konder, os dois maiores edifícios da cidade até o momento.

    Menos área verde

    São várias as preocupações dos moradores. A principal delas é fato de o terreno a ser usado ter hoje uma grande área verde, com inúmeras espécies de animais e plantas. Seria uma perda para a comunidade e a qualidade de vida dela.

    Outro grande problema, segundo os moradores, tem relação com a mobilidade das pessoas. As ruas de acesso ao empreendimento não comportariam o movimento que vão receber durante e depois da obra. Além disso, as compensações exigidas pela prefeitura não seriam suficientes para atenuar o aumento do fluxo de veículos que o empreendimento vai gerar quando concluído.

    Abaixo-assinado

    A advogada Patrícia Kasburg mora há 17 anos no bairro e foi uma das que falaram sobre o tema na reunião do Coplan. Segundo ela um abaixo-assinado com mais de 1,8 mil assinaturas foi entregue à prefeitura, ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal na esperança de reverter, de alguma forma, a construção dos prédios.

    Área em que está prevista a construção das duas torres residenciais
    Área em que está prevista a construção das duas torres residenciais
    (Foto: )

    Também partiu dela, em nome dos moradores, o requerimento que pediu o adiamento da decisão do conselho. Com os 90 dias de prazo, a comunidade quer analisar melhor o Estudo de Impacto de Vizinhança e consultar especialistas em busca de elementos técnicos que justifiquem a posição contrária deles em relação ao empreendimento.

    Projeto de lei

    Quem também pediu o adiamento da deliberação dos conselheiros em relação à construção foi um grupo de vereadores. Carmo de Souza, Professor Gilson e Ito de Souza assinaram um ofício comunicando o Coplan que está em avaliação na Câmara Municipal um projeto de lei que prevê a mudança de zoneamento daquela região do bairro Vila Nova.

    O texto foi proposto pelo vereador Jovino Cardoso Neto e, se aprovado, vai restringir a construção de prédios altos, incluindo o projeto em questão. Segundo Jovino, a proposta atende pedido da comunidade.

    Construção poderia ser maior

    O empresário Valter Torresani é experiente e conhece bem os problemas gerados por uma obra desse porte, a maior da construtora que ele comanda há mais de 30 anos. À coluna ele deixou claro que o projeto existe porque a legislação permite. Ainda assim, disse que tomou algumas decisões para diminuir o impacto da obra na comunidade.

    O projeto prevê, por exemplo, a ocupação de 30% da área do terreno, mas poderia ocupar 80%. Torresani diz que a área verde é um patrimônio que deve ser preservada ao máximo. Também na área construída houve o cuidado de não atingir o limite previsto em lei. O empreendimento terá 56 mil metros quadrados e poderia ter, segundo ele, 76 mil:

    — Queremos o menor impacto possível — disse ele avaliando o projeto.

    Menos inundações

    Além do fato de não usar o que é permitido em seu favor, o empresário diz que o empreendimento terá uma caixa de retenção de água da chuva no mínimo dez vezes maior que o exigido por lei. A medida atende pedido da prefeitura para que o equipamento armazene também água da chuva que vem da Rua Regente Feijó e colabora com os frequentes alagamentos das principais ruas do bairro em dias de chuva forte. Com isso, Valter afirma que o empreendimento vai contribuir para a diminuição da incidência de enxurradas no bairro.

    EIV foi apresentado ao Coplan na quarta-feira, mas deliberação ficou para 2020
    EIV foi apresentado ao Coplan na quarta-feira, mas deliberação ficou para 2020
    (Foto: )

    Contrapartidas

    Para ter aprovado o projeto, a Torresani terá que investir algo em torno de R$ 2 milhões em algumas medidas exigidas pela prefeitura. Entre elas, o empresário cita a construção de duas rotatórias, uma entre as ruas Almirante Barroso, Gustav Salinger e Regente Feijó e outra no entroncamento da Almirante Barroso com a Benjamin Constant. Além disso, a empresa também seria responsável por bancar a instalação de novos pontos e abrigos de ônibus e a revitalização da ciclovia do bairro.

    Participação da comunidade

    O embate é grande, saudável e necessário. O empreendimento só é possível no local porque anos atrás houve uma mudança no zoneamento da região. Mudança que passou por audiência pública e votação na Câmara Municipal.

    O problema é que a comunidade não tem o hábito de acompanhar esses trâmites, mesmo com a divulgação oficial — pelo visto, insuficiente — e até mesmo na imprensa. A mobilização vale como alerta para as demais regiões da cidade. Temos que discutir sempre o futuro que queremos para Blumenau e a vigília tem que ser constante.

    Alerta

    A prefeitura de Blumenau vai promover no dia 19 uma audiência pública para discutir propostas de alterações nos códigos de Circulação, Edificações e Zoneamento da cidade. Será às 19h na Escola Técnica de Saúde (Etsus), na Rua 2 de Setembro, 510.

    As propostas de mudanças atingem área nos bairros Jardim Blumenau, Fortaleza, Itoupavazinha, Itoupava Central e Victor Konder. Em geral, essas alterações são pedidas por empreendedores que pretendem construir algo além do que é permitido atualmente.

    Quem tiver interesse pode acessar a página bit.ly/audpublicabnu para baixar o material, avaliar e, se for o caso, participar da audiência pública.

    Deixe seu comentário:

    Últimas do colunista

    Loading...

    Mais colunistas

      Mais colunistas