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    Estratégia

    Mudança no discurso de Carlos Moisés é sinal de que estamos à deriva no combate ao coronavírus

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    Por Pancho
    27/03/2020 - 07h36 - Atualizada em: 27/03/2020 - 10h05
    Carlos Moisés
    Governador apresentou na quinta-feira o plano de retomada das atividades econômica. Foto: Mauricio Vieira, divulgação

    Houve uma mudança significativa no teor das palavras do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL) nos dois últimos dias. Se antes havia relação direta entre o que era dito e o que era feito, agora há uma sequência de desarmonia entre as frases proferidas por ele.

    Na entrevista coletiva de ontem o governador começou na mesma batida de antes. Comentou sobre o aumento de 20% nos casos confirmados de Covid-19, lamentou a primeira morte e reforçou: “O apelo do governo é para que as pessoas continuem ficando em casa”.

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    Acentuou o tom da preocupação com o que está por vir dizendo que a semana será importante para o governo se preparar para receber os doentes sabendo que “o desafio pode ser maior que a nossa capacidade de resposta” e que ele, o desafio, depende das ações do governo na primeira e segunda semana de isolamento social.

    Nos segundos seguintes Moisés anuncia o plano estratégico para a retomada de atividades econômica relaxando a quarentena para quem trabalha em bancos, correspondentes bancários, lotéricas cooperativas de crédito, lojas, hotéis, bares,restaurantes, academias e mais meio mundo. Justo a quarentena, tão defendida por ele antes e que foi a medida mais adotada por quem teve algum sucesso na batalha contra o vírus — além da testagem em massa — e ignorada pelos que mais contam mortos.

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    Em nenhum momento o governador explicou com clareza os motivos que o levaram a dar uma guinada nas ações em direção diferente da que o nosso barco estava rumando até o início da semana. Disse que o número de casos suspeitos caiu dois dias seguidos e até poderia ser um indicativo de que a situação aqui em SC não é tão grave quanto no restante do Brasil e do mundo. O problema é que esse número pode ter caído porque não se faz mais teste em quem vem do exterior ou tem febre e falta de ar, como antes. Apenas internados graves são testados. Cai o número de testados, o de suspeitos, mas não o de casos confirmados.

    Ataque ou alinhamento?

    Toda essa aparente incoerência já estava explícita na manhã anterior, quando Moisés comentou o pronunciamento do presidente da República. Disse estar “estarrecido” em relação ao que Bolsonaro havia dito sobre as medidas de isolamento, “medidas responsáveis adotadas por diversos governos”, reforçou. Incluindo o dele próprio.

    Depois de classificar medidas de isolamento como “responsáveis”, ele diz que precisa equilibrar a retomada econômica com o isolamento social para baixar a curva de contaminação e não termos uma contaminação em massa. “Não há sistema nenhum no mundo, sistema de saúde, que tenha conseguido dar respostas”. Ora, já foi dito que a curva diminui com o isolamento. Se a economia for retomada, e é um desejo compreensível, a tendência é que a curva suba.

    O jato d’água parece girar desgovernado ao redor do bombeiro. De um lado hidrata a alma dos que temem pela doença e morte que se avizinham. Do outro apaga o fogo que assa como pão a recessão que virá, na tentativa de torná-la menor do que a amostra ofertada pelas duas semanas de paralisação geral. Tamanha oscilação, sem listar claramente as razões, transmite insegurança e a sensação de que estamos à deriva. Pelo sucesso da estratégia, nos resta orar. Em casa ou fora dela.

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