nsc
    nsc

    Negócios

    Ambev se movimenta para voltar à Oktoberfest

    Compartilhe

    Pedro
    Por Pedro Machado
    03/11/2019 - 09h45 - Atualizada em: 05/11/2019 - 08h00
    Oktoberfest
    Foto: Lucas Correia, BD

    A Oktoberfest do ano que vem pode ser a última da Eisenbahn como cervejaria oficial da festa. Firmado em 2014 com a prefeitura de Blumenau, o contrato que dá direito à marca estampar materiais de divulgação e explorar a maioria dos pontos de venda da Vila Germânica durante o evento é válido somente até a edição de 2020 – inclui ainda a Sommerfest de 2021.

    Na licitação de cinco anos atrás, a Brasil Kirin, dona da Eisenbahn na época, foi a única empresa que se credenciou para a disputa. Levou com uma proposta 36,8% superior ao valor mínimo exigido pelo edital – que previa remuneração anual de pelo menos R$ 1,1 milhão, com correção pela inflação – e teve como uma das contrapartidas a construção de um novo setor na Vila Germânica, batizado de Eisenbahn Biergarten.

    Diante do estrondoso sucesso e da valorização comercial da Oktoberfest nos últimos anos, o Grupo Heineken, que assumiu o controle da Eisenbahn após comprar a Brasil Kirin em 2017, não teria motivos para abrir mão do evento e já sinalizou interesse em retornar depois de 2020. Ao que tudo indica, no entanto, não deve ser o único concorrente de peso no páreo.

    Discretamente a Ambev já se mobiliza para tentar retomar o posto que ocupava até 2014, quando a cervejaria oficial da Oktoberfest era a Brahma. Uma diretora da companhia esteve em Blumenau durante a edição deste ano. Veio conhecer de perto a estrutura da Vila Germânica e chegou a entrar na festa à paisana. Já houve contatos da empresa com a organização em busca de mais informações.

    A Ambev é dona de um vasto portfólio, que vai de marcas populares como Brahma, Skol e Antarctica, a cervejas classificadas como premium, a exemplo de Budweiser, Stella Artois e Serramalte, entre outras. Nenhuma delas, no entanto, despontaria como favorita para se tornar “a cara” da Oktoberfest caso o grupo vença a próxima licitação.

    Nas bolsas de apostas dos bastidores fala-se na Patagonia, de origem argentina. Olhares mais atentos já notaram algumas ações pontuais de divulgação da marca em Blumenau, como se o terreno estivesse sendo preparado. A Ambev também acredita muito no potencial de crescimento dessa cerveja na região Sul do país.

    Oficialmente, a companhia não fala sobre o assunto. Mas seus últimos movimentos indicam uma proximidade maior com Blumenau. Em fevereiro, a Ambev acertou a compra da HBSIS, empresa local que passou a servir como base tecnológica para as operações da cervejaria na América Latina. Já foi sob a gestão da gigante cervejeira que a HBSIS inaugurou nova e moderna sede, com cerca de 700 funcionários e previsão de ultrapassar mil colaboradores em 2020.

    A prefeitura de Blumenau, por sua vez, trabalha no esboço do novo edital, que deve ser lançado até o início do segundo semestre do próximo ano. O cenário que se pinta é de um duelo de gigantes a caminho.

    Na mão da Vila

    Aos que se preocupam com a qualidade da cervejaria oficial da Oktoberfest, vale lembrar que a Vila Germânica tem poder para filtrar o leque de candidatas. Bastaria manter ou ampliar a obrigatoriedade, como prevê o atual contrato, de que pelo menos 20% do volume de chope vendido durante a festa respeite a Reinheitsgebot, a Lei da Pureza Alemã. Isso de cara já descartaria várias marcas de apelo popular que usam cereais como arroz e milho em sua composição.

    Deixe seu comentário:

    Últimas do colunista

    Loading...

    Mais colunistas

      Mais colunistas