Luana Buzzi tem só 25 anos, mas uma história de vida que, pelo menos até aqui, lembra um roteiro de filme. No dia 5 de novembro, ela recebeu o troféu de jovem empreendedora do ano do Prêmio Gustav Salinger, tradicional iniciativa da Associação Empresarial de Blumenau (Acib) que valoriza empresas e pessoas que fazem a diferença no mercado regional. Luana é dona de uma agência chamada Abuzzi, que vem crescendo com uma proposta de tornar mais acessíveis, para pequenos empreendedores, investimentos em marketing digital. Seu grande filão é o gerenciamento de contas do Instagram. As principais clientes são profissionais das áreas de beleza e bem-estar.
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O prêmio coroa uma trajetória que ainda vem sendo marcada por uma série de adversidades comuns a empreendedores de primeira viagem, mas também reconhece atributos essenciais para quem se arrisca a criar uma empresa, como força de vontade, resiliência, superação e determinação.
Luana não teve vida fácil. Cresceu “no interior do interior” de Lontras. Era uma “caipira da roça”, como ela mesma diz. De família humilde, mãe diarista e pai agricultor, trabalhou ainda menina em colheitas de fumo e vendia melancias na feira. Apesar do ofício pesado, não reclamava. Pelo contrário.
— Eu me achava. Adorava fazer coisas de adultos — lembra, com boa dose de humor.
Na adolescência, foi repositora em um supermercado e também vendedora de roupas. Ganhou a confiança dos chefes a ponto de ter a responsabilidade de muitas vezes abrir e fechar a loja. Dessa época, Luana conta casos inusitados. Com um sacolão em mãos, chegou a vender peças dentro de um ônibus e até na fila do hospital enquanto aguardava ser atendida.
— Quando você quer vender alguma coisa, precisa saber sair de qualquer tipo de situação — acrescenta.
O destino a levou a Blumenau, onde começou a cursar Publicidade e Propaganda depois de ganhar uma bolsa de estudos. Mesmo sem experiência na área, disparou currículos na primeira semana da faculdade. Luana chegou a trabalhar em algumas agências da cidade, mas logo começou a sofrer com crises de ansiedade e descobriu um tumor na cabeça. Acabou voltando para Lontras em 2013. Passou por terapia e apelou até mesmo para sessões de descarrego na Igreja.
Recuperada, ela começou a dar os primeiros passos como empreendedora. Com a ajuda de um computador antigo, que tinha comprado depois de fazer um empréstimo num banco, começou a oferecer serviços de marketing digital para empresas e lojistas. Sem internet em casa, aproveitava o wi-fi do posto de gasolina onde o pai trabalhava para fazer as tarefas que dependiam de conexão com o mundo.
No início, Luana levou muitos “nãos”. Precisou encarar a desconfiança de clientes por ser jovem, não ter experiência na área e por dispor de uma estrutura mínima de atendimento. Muita gente, recorda ela, também não via valor na proposta:
— Naquela época muitas empresas ainda não reconheciam que as redes sociais poderiam ser usadas para negócios.
Depois de muita insistência, Luana entendeu que seria mais promissor atender clientes pequenos, que não têm muitos recursos para investimentos maciços em mídia digital mas que também não querem ficar de fora da rede. Em cinco anos de agência, já de volta a Blumenau, ela conquistou uma carteira fixa de 60 clientes. Seu grande diferencial, diz, é eliminar pequenas burocracias do dia a dia: reuniões presenciais são dispensadas, e-mails raramente são usados, praticamente todo o contato com a freguesia é feito pelo WhatsApp e a empresa não estabelece prazos mínimos de contrato.
A Abuzzi ainda é uma empresa pequena, com nove pessoas. Workaholic assumida, Luana admite que seu próximo grande desafio é desacelerar o ritmo. Para isso, terá de aprender a se “desapegar” de algumas coisas, algo que costuma ser um tormento para jovens empreendedores. Dar mais autonomia para que a sua equipe tome decisões por conta própria foi um primeiro passo. Para quem na infância queria de presente um carneirinho e já pensou – e não quer mais – ter 100 funcionários, a realização profissional agora passa por aumentar a satisfação dos clientes e incentivar mais mulheres a empreenderem.