A Wetzel, uma das mais tradicionais metalúrgicas de Santa Catarina, teve um pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial indeferido pela Justiça. Em despacho publicado na segunda-feira (25), o juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências, Recuperação Judicial e Extrajudicial de Jaraguá do Sul, julgou extinto o processo sem analisar o mérito.

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A empresa de Joinville havia entrado com o pedido em março e defendia que o caso tramitasse em segredo de Justiça – o que foi rejeitado pelo magistrado. No documento apresentado à época, a Wetzel alegou dificuldades financeiras provocadas por uma série de fatores, entre elas resquícios da pandemia de Covid-19, desaquecimento da economia, tarifaço imposto pelos Estados Unidos e retração no setor automotivo, um dos principais mercados atendidos pela companhia.

O plano apresentado previa a renegociação de uma dívida de R$ 64,8 milhões. Deste valor, 56,4% já estaria repactuado por meio de adesão formal de credores financeiros e operacionais, sustentou a Wetzel ao apresentar o pedido. A companhia defendia a homologação como forma de reestruturar o passivo e permitir condições e meios de pagamento, preservando as operações fabris.

A tentativa de recuperação extrajudicial revela um novo cenário de crise para a metalúrgica, que tem 93 anos de mercado. Em 2016, a Wetzel já tinha pedido recuperação judicial – que é uma situação diferente, com intermediação de um juiz – para repactuar dívidas. O processo foi encerrado em 2022 após a Justiça constatar o cumprimento do plano de recuperação, no que representou, na época, uma volta por cima da empresa.

“Já se passaram cerca de 10 anos do pedido de recuperação judicial, tendo o mundo dado muitas voltas, com sucessivas crises, nacionais e interacionais, tendo inclusive perpassado por um estado de calamidade pública mundial, portanto, foram muitos os fatores adversos que trouxeram a empresa ao seu estágio atual”, cita um trecho da petição inicial.

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Em 2024, a companhia chegou a vender a operação de fundição de ferro para a vizinha Schulz, do mesmo setor, em um negócio de R$ 155,2 milhões. Parte desse valor foi usado para pagar saldos de dívidas da antiga recuperação judicial.

Atualmente, a Wetzel tem cerca de 690 funcionários, número que chegou a ser próximo de mil no ano anterior àquela transação. A empresa fechou 2025 com receita operacional líquida de R$ 197,5 milhões e um prejuízo líquido próximo a R$ 30 milhões.

O que diz a Wetzel

Em fato relevante divulgado ao mercado nesta quinta-feira (28), a Wetzel informou que foi notificada da decisão e que os fundamentos da sentença estão sendo analisados pela administração e assessores jurídicos da empresa, para definição de medidas cabíveis.

A empresa observou ainda que, apesar do indeferimento por “ausência de pressupostos processuais”, os contratos e aditivos firmados com os credores que aderiram ao plano permanecem válidos.

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“A companhia informa, também, que reestruturou de maneira bem-sucedida sua dívida financeira em negociações bilaterais com bancos credores não sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial e que as tratativas com os demais credores seguem em evolução”, acrescentou.

As atividades de produção e fornecimento “permanecem regulares e inalteradas”, complementou a Wetzel no documento.

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Fonte: Anuário Valor 1000. Crédito das imagens: Divulgação e Arquivo NSC Total

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