Revelada em primeira mão pela coluna, a notícia de que a cervejaria alemã Hofbräuhaus vai explorar uma nova área na Oktoberfest Blumenau causou incômodo entre produtores locais. O desconforto, segundo uma fonte ouvida pela coluna, não é com a presença da HB na festa, mas com os critérios adotados no processo de contratação vencido pela empresa.

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A coluna apurou que a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja (ABCBC), que representa ao menos uma dúzia de cervejarias da cidade, prepara a divulgação de uma nota pública sobre o assunto.

Como será por dentro a cervejaria Hofbräuhaus, que já tem data para abrir em Blumenau

No documento, a entidade vai alegar que não teve conhecimento do processo e que o edital de concorrência estabeleceu condições que inviabilizariam a participação das cervejarias locais, por exigir como critério que a empresa vencedora tivesse atuação na Oktoberfest de Munique, na Alemanha.

Outra queixa é sobre a quantia que será paga pela HB para explorar o “novo” pavilhão 5, que será montado em uma tenda nos fundos dos setores 1 e 4 da Vila Germânica. A contratação estipulou um valor mínimo de R$ 40,1 mil para duas edições, com comissão de 12% sobre as vendas de chope. A HB venceu com a oferta mínima.

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As cervejarias locais alegam que pagam em média R$ 188 mil por ponto comercial nos setores 1 e 2 da Vila Germânica, com recolhimento de 15% sobre o faturamento. A diferença das condições econômicas incomodou o setor.

Os empresários tentam uma audiência com o prefeito Egidio Ferrari (PL) para esclarecer o assunto. A contratação da HB já foi finalizada e teve o resultado homologado na última quinta-feira (18).

A mobilização do segmento artesanal reacende o debate sobre o papel da maior festa alemã das Américas como impulsionadora da indústria cervejeira. Em Munique, frequentemente citada como fonte de inspiração, a Oktoberfest privilegia a promoção de marcas e produtores locais. A ABCBC já defendeu publicamente que o mesmo modelo seja adotado em Blumenau.

O que diz a Oktoberfest Blumenau

Procurada, a organização da Oktoberfest Blumenau disse que respeita a posição da ABCBC, mas reforçou que a contratação do novo restaurante foi “conduzida em conformidade com a legislação vigente, seguindo critérios públicos e transparentes”.

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Também alegou que o novo espaço gastronômico do setor 5 tem características diferentes dos pontos destinados às cervejarias artesanais, com mais custos de operação – infraestrutura de gastronomia, atendimento com garçons, utilização de canecos de vidro e pratos de porcelana –, o que tornaria a comparação dos dois modelos “inadequada”.

“O permissionário deverá realizar investimentos e assumir responsabilidades operacionais significativamente superiores aos exigidos nos pontos convencionais da festa”, diz a nota.

A organização da Oktoberfest Blumenau disse ainda que o valor mínimo estabelecido para o setor 5 é aproximadamente o dobro do praticado no Galegão, modelo que serviu de base para a criação do novo espaço.

“O novo espaço foi concebido como uma experiência complementar à festa, ampliando as opções oferecidas ao público sem impactar a participação das cervejarias locais já com pontos na festa. Além disso, o contrato estabelece que todo o chope comercializado seja produzido exclusivamente em Blumenau, reforçando o compromisso com a Capital Brasileira da Cerveja”, diz a nota.

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