A diretoria do Blumenau Esporte Clube SAF apresentou à prefeitura da cidade um projeto para assumir uma eventual e futura concessão do Parque Prefeito Carlos Curt Zadrozny (a antiga Associação da Artex), no bairro Garcia. Detalhes da proposta, obtidos em primeira mão pela coluna, revelam a intenção de dividir a estrutura em duas partes. Uma, privada, seria reservada a um centro de treinamentos do clube com até 43,1 mil metros quadrados, que ocuparia 45% do total da área do parque. O restante permaneceria aberto à comunidade, com equipamentos esportivos e de lazer públicos.

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A proposta foi elaborada após o próprio município abrir uma espécie de chamada pública para saber quem teria interesse em assumir a gestão do parque – uma das ideias da prefeitura, além de requalificar a área, é “se livrar” dos custos de manutenção. O BEC e um outro interessado apresentaram propostas. A do clube foi a mais bem avaliada por uma comissão julgadora interna e deve ser considerada na elaboração dos estudos técnicos que vão embasar um edital de concessão.

O poder público não tem obrigação de acatar, seja parcial ou integralmente, o modelo sugerido pelo BEC. Mas a proposta do clube, de certa forma, adianta a análise da viabilidade para a ocupação e exploração do parque pela iniciativa privada – o mesmo modelo já foi usado para a concessão da rodoviária. A prefeitura já sinalizou o interesse em fazer a concessão, mas ainda não há prazos para a conclusão desses estudos e nem para o lançamento de uma licitação. Se e quando o edital estiver na praça, outros investidores também poderão entrar na concorrência.

O parque não é incomum para o BEC. A equipe já usou parte da estrutura ao longo de 2025 na preparação para as disputas da segunda divisão do campeonato estadual e da Copa Santa Catarina, mas em um contrato de cessão. Na concessão, o formato é diferente e o clube teria mais autonomia de gestão da área.

Veja imagens do projeto

CT credenciado pela Fifa

O projeto do BEC prevê a implantação de um moderno centro de treinamentos (CT) credenciado pela Fifa para formação de atletas. Imagens anexadas à proposta mostram um complexo com três campos oficiais de grama natural e outro com grama sintética. Um deles ocuparia a área onde hoje existe a piscina do complexo.

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A antiga sede da associação da Artex, de acordo com a proposta, seria revitalizada e integrada ao projeto, abrigando áreas de alojamento para atletas da base e do profissional, academia, refeitório, vestiários, salas de aula e apoio e espaços de fisioterapia e recuperação física, além de biblioteca e laboratório de informática.

“O projeto está totalmente alinhado à nova etapa de profissionalização do clube sob o modelo SAF, com foco em planejamento, excelência técnica e sustentabilidade”, diz o clube no documento.

O investimento no CT, com 50 vagas de estacionamento, está estimado entre R$ 13 milhões e R$ 17 milhões, com implantação prevista para até cinco anos.

Parque integrado ao rio

Na área pública, a ideia é criar, em um prazo de 36 meses, uma estrutura urbana multiuso e um circuito de 1,4 mil metros para pedestres e ciclistas, com conexão direta até mesmo para o ribeirão Garcia, que cruza os fundos do parque. Além disso, o espaço reservaria áreas para piqueniques, parquinho infantil, petplace, quiosques, food trucks e atrações culturais.

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Para a prática de esportes, o projeto fala em quadras de vôlei e beach tennis, academia ao livre e uma quadra poliesportiva coberta com uma pequena operação de gastronomia ou café. Também haveria uma área destinada ao paradesporto. A proposta do BEC é aportar outros R$ 15 milhões na revitalização do que já existe e na criação dessas novas estruturas.

Além do investimento em obras, o clube assumiria custos de segurança e monitoramento integral da área pública do parque, cuja gestão e responsabilidade de manutenção permaneceriam, segundo a proposta, com a prefeitura.

Prazos

Na proposta, o BEC sugere uma concessão por até 25 anos. O clube estima que os investimentos em infraestrutura nas áreas privada e pública, além do monitoramento e da segurança por todo esse período, fariam com o que o impacto financeiro do projeto beire os R$ 80 milhões.

“Esse modelo de concessão proporciona, além da qualificação do espaço público, uma economia substancial aos cofres públicos e garante à comunidade a oferta continuada de um parque urbano de excelência”, defende o clube na proposta.

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O que diz o BEC

Procurado pela coluna para comentar o assunto, o BEC disse que mira a construção de um centro de treinamento de alto padrão desde a chegada do grupo que comanda a SAF atualmente.

“A iniciativa de apresentar uma proposta na PMI aberta pela prefeitura é uma possibilidade de utilizar o espaço não só para proporcionar ao Blumenau ter uma estrutura de primeiro mundo, mas também devolver para a sociedade um espaço mais adequado para diversas atividades da população blumenauense”, disse o clube.

A busca por um CT padrão Fifa ajudaria o Blumenau, continua o clube, a evoluir em captação e formação de jogadores pensando também em negociações com o mercado nacional e internacional, aumentando o potencial financeiro.

Sobre o financiamento do projeto, o BEC informou que a SAF sempre busca parceiros e que já está em conversas iniciais com potenciais interessados.

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O clube observa, no entanto, que esta é apenas uma proposta, lembrando que haverá abertura de edital e concorrência, que tudo ainda está em uma fase muito inicial e que pode ou não acontecer.