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Mudanças climáticas

IPCC faz alerta grave sobre as mudanças climáticas

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Puchalski
Por Puchalski
12/08/2021 - 13h07 - Atualizada em: 13/08/2021 - 18h16
Sexto relatório sobre Aquecimento Global
Sexto relatório sobre Aquecimento Global (Foto: IPCC)

No início dessa semana o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou o 6° Relatório de Avaliação. Esse novo documento reune 233 pesquisadores do mundo inteiro baseado em 14 mil trabalhos cientificos dessa área. Separei alguns tópicos importantes que chama atenção pela sua gravidade. 

A primeira informação importante é que pela primeira vez na história a temperatura média do planeta deverá chegar a 1,5°C acima do que ocorreu na era pré-industrial. E isso deverá ocorrer muito rapidamente. A expectativa é que possa ocorrer dentro de no mínimo 9 anos e no máximo 30 anos, ou seja, chegaremos nesse nível de aquecimento entre 2030 e 2052. Isso se continuar a aumentar a temperatura na taxa que vem ocorrendo nas últimas décadas.

Para terem ideia, o aquecimento global antropogênico - provocado pelo ser humano - estimado está aumentando atualmente em 0,2°C por década a temperatura do planeta. Isso devido a emissões passadas de gases, sobretudo C02, do efeito estufa.

ONDE ESTÁ AQUECENDO MAIS

Segundo o relatório o aquecimento é maior no Ártico. Lembrando que o aquecimento é geralmente maior na terra do que no oceano. 

O QUE JÁ É FATO

Uma constatação é que o atual aquecimento que vem ocorrendo desde o período pré-industrial continuará a causar mais mudanças de longo prazo no sistema climático, como o aumento do nível do mar e suas consequências.

- Alguns impactos podem ser de longa duração ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas. O aumento do nível do mar continuará após 2100, mesmo se o aquecimento global for limitado a 1,5°C no século 21;

- Temperatura média subindo na maioria das regiões terrestres e oceânicas;

- Extremos quentes na maioria regiões habitadas;

- Regiões pelo mundo com aumento da chuva e outras com alta probabilidade de déficits precipitação, mas isso em menos regiões.

CONSEQUÊNCIAS SE A TEMPERATURA FICAR 1,5°C ACIMA DA ERA PRÉ-INDUSTRIAL

- As projeções baseadas em modelos de aumento do nível médio global do mar sugerem uma elevação de 0,26 a 0,77 m em 2100; 

- 6% dos insetos, 8% das plantas e 4% dos vertebrados deverão perder mais da metade de suas faixas geográficas;

- Muitas espécies marinhas deverão migrar para latitudes mais altas;

- Perda de recursos costeiros e redução da produtividade de pesca e aquicultura, sobretudo nas baixas latitudes do planeta;

- Os recifes de coral, por exemplo, deverão diminuir em mais de 70-90%;

- Diminuição na produção anual global da pesca marinha de cerca de 1,5 milhões de toneladas.

RISCOS SOCIAS SE A TEMPERATURA FICAR 1,5°C ACIMA DA ERA PRÉ-INDUSTRIAL

De maneira geral se chegarmos nesse aquecimento teremos problemas relacionados ao clima para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar, abastecimento de água e segurança humana.

Os mais atingidos deverão ser populações desfavorecidas e vulneráveis, alguns povos indígenas e comunidades locais que dependem da agricultura ou meios de subsistência costeiros. As regiões com risco maior incluem ecossistemas árticos, regiões secas, pequenos estados insulares em desenvolvimento e países menos desenvolvidos. E olha que se limitar o aquecimento global a 1,5°C, em comparação com 2°C, poderia reduzir o número de pessoas expostas a riscos relacionados ao clima e suscetíveis à pobreza em até várias centenas milhões em 2050, daqui a apenas 39 anos. 

Afirmações importantes:

- Deveremos ter mais Ilhas de calor urbanas;

- Riscos de algumas doenças transmitidas por vetores, como malária e dengue, incluindo possíveis mudanças em sua área geográfica;

- Reduções líquidas menores nos rendimentos de milho, arroz, trigo, e potencialmente outras culturas de cereais, particularmente em regiões como a América do Sul;

- Projeta-se que a pecuária seja adversamente afetada com o aumento das temperaturas. Mudanças na qualidade da alimentação, disseminação de doenças e disponibilidade de recursos hídricos. 

O QUE FAZER

Ainda da tempo para mudar alguns pontos desse possível cenário. Segundo o relatório, há uma ampla gama de opções de adaptação para reduzir os riscos para os ecossistemas naturais e gerenciados. Podemos evitar degradação e desmatamento, criar gestão da biodiversidade, aquicultura sustentável, irrigação eficiente, redes de segurança social, gestão de risco de desastres, disseminação e compartilhamento de risco e adaptação com base na comunidade. Nas áreas urbanas criar infraestrutura verde, uso e planejamento sustentável da terra e água.

Você ai está consciente? Quer evitar um aquecimento maior do nosso planeta? Dá pra fazer, mas tem que começar agora. 

Leandro Puchalski

Colunista

Puchalski

Leandro Puchalski é o meteorologista da NSC Comunicação. Explica como os fenômenos climáticos impactam na vida dos catarinenses.

siga Puchalski

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Leandro Puchalski é o meteorologista da NSC Comunicação. Explica como os fenômenos climáticos impactam na vida dos catarinenses.

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