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O ciclone que causou estragos e ficou na história de SC

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Puchalski
Por Puchalski
04/07/2020 - 09h00 - Atualizada em: 04/07/2020 - 11h07
Imagem do ciclone formado sobre o mar

A última terça-feira, dia 30/06, teve um dos eventos extremos mais impactantes dos catarinenses. A formação de um ciclone chamou atenção de todos. Surgiu até na previsão um termo não muito conhecido pelo grande público. Ciclone bomba! Um termo que no início causou susto, mas que foi usado por alguns colegas meteorologistas para chamar atenção das pessoas que o que estava previsto seria algo forte.

CICLONE BOMBA

É um ciclone que se intensifica muito rapidamente. Quando a pressão do ar cai 1 hPa por hora - hectopascal (hpa) é a unidade de pressão do ar - temos um bomba. Esses ciclones são, em média, 5,1hpa mais intensos que os ciclones "tradicionais" ou não explosivos. Isso que dizer que tem potencial de provocar ventos em até 60% mais intensos que a maior parte dos ciclones. No caso deste da última semana, o que chamo atenção é que ele se formou sobre o continente. Algo não tão comum desses ciclones que na maior parte das vezes tem a formação sobre os oceanos. Com isso, não tão impactantes e menos frequentes.

ESCALAS METEOROLÓGICAS

Na meteorologia dividimos os fenômenos meteorológicos em escalas. Há três grandes divisões: macro, meso e micro-escala. Os nomes já dão uma ideia. Fenômenos que atuam em grandes, médias e pequenas áreas.

O ciclone está dentro da escala maior quando tem uma área de atuação na ordem de milhares de quilômetros. Porém, temos em muitas situações de extremos do tempo fenômenos de escalas diferentes atuando ao mesmo tempo. Fato que ocorreu no dia dia 30 de junho.

Dentro da instabilidade tivemos uma Linha de instabilidade, fenômeno de meso escala, que se deslocou do Oeste para o Litoral com uma extensão de Sul a Norte. Gerando vendaval em 1/3 das cidades catarinenses.

LINHA DE INSTABILIDADE

Para facilitar o entendimento de vocês, pensem que a linha de instabilidade é um conjunto de nuvens de temporais colocadas uma do lado da outra formando literalmente uma linha. O que provocou as fortes rajadas de vento em Santa Catarina foi tecnicamente isso. Uma linha de instabilidade.

Linha de instabilidade. Linha vermelha
Linha de instabilidade. Linha vermelha
(Foto: )

Ainda não sabemos como fenômenos de escalas diferentes se relacionam. No caso aqui de Santa Catarina há a possibilidade da formação do ciclone bomba, escala sinótica, ter contribuído para intensificar a Linha de Instabilidade, meso escala. Só que isso ainda precisa ser estudado melhor.

O QUE TEVE DE DIFERENTE

Sei que como meteorologista o olho fica mais "treinado", mas se vocês olharem com calma uma das imagens de radar do evento conseguimos aceitar que a linha de instabilidade ( essa linha vermelha que vai de Sul ao Norte bem no Litoral do Estado) tem um formato parecido de um arco. Concordam? Pois então, isso permite que traga para vocês um outro termo meteorológico bem novo e desconhecido. O Derecho é uma tempestade com vento muito forte, de 100 km/h ou mais, que avança por uma linha reta por uma distância longa e durante algumas horas. O poder de destruição pode se assemelhar de um furacão. Estes ventos fortes estão na verdade dentro de um conjunto de nuvens muito carregadas que ficam alinhadas. Lembra alguma coisa? Lembra, né? O nome “Derecho” vem do espanhol e significa direto, justamente porque é um vento que avança em linha reta, direta.

Leandro Puchalski

Colunista

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Leandro Puchalski é o meteorologista da NSC Comunicação. Explica como os fenômenos climáticos impactam na vida dos catarinenses.

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