A Prefeitura de São José desistiu de aderir ao programa habitacional do governo do Estado, Casa Catarina, voltado à oferta de moradias para famílias de baixa renda. Pelo modelo do programa, os municípios entram com o terreno e o Poder Executivo estadual disponibiliza os recursos para a construção. 

Continua depois da publicidade

No dia 7 de janeiro de 2026, o prefeito Orvino Coelho de Ávila encaminhou ofício à secretária de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, Adeliana Dal Ponte, comunicando formalmente a “desistência da adesão ao Projeto Casa Catarina”. Caso tivesse mantido a participação, São José teria direito à construção de 43 casas, investimento estimado em R$ 4,9 milhões.

Veja imagens de São José:

Dos 295 municípios catarinenses, 239 aderiram ao programa (81%). São José foi a única cidade a desistir.

Em nota encaminhada à coluna, a prefeitura informou que “a não adesão ao programa Casa Catarina foi uma decisão de gestão, considerando que o município já possui dois loteamentos habitacionais em andamento. A medida foi tomada com base no planejamento da política habitacional da cidade e na prioridade de dar continuidade aos projetos já em execução”.

Nas eleições municipais de 2024, a atual secretária estadual e ex-prefeita de São José, Adeliana Dal Pont, ficou em segundo lugar, sendo derrotada por Orvino Coelho de Ávila. Nos bastidores políticos, há especulações de que a desistência do programa estadual teria como objetivo evitar a associação da iniciativa à ex-prefeita.

Continua depois da publicidade

Caso essa motivação se confirme, o principal prejuízo recairia sobre a população de baixa renda, que enfrenta altos custos de aluguel e não tem acesso ao mercado formal de habitação. Seria a política pequena se sobrepondo ao interesse da população.

Segundo dados do Censo do IBGE, São José ganhou mais de 60 mil novos moradores entre 2010 e 2022. Parte desse crescimento está relacionada à chegada de imigrantes venezuelanos e trabalhadores oriundos da região Norte do país, muitos com baixa renda e em busca de oportunidades econômicas.

A própria prefeitura reconhece a existência de 15 áreas consideradas sensíveis para possíveis ocupações irregulares. Nessas regiões, famílias vivem de forma precária, com ocupação desordenada do solo, impactos ambientais e exposição a áreas de risco.

Atualmente, o município tem em andamento, em parceria com o governo federal, dois projetos habitacionais: o Residencial Popular Horto Florestal, no bairro Forquilhas, com previsão de 200 apartamentos e entrega estimada para janeiro de 2027; e o Loteamento Benjamin, também em Forquilhas, que ainda se encontra em fase de tramitação e sem prazo definido para conclusão.

Continua depois da publicidade