O empresário Léo Mauro Xavier Filho, proprietário da Biguaçu Transportes, acredita que antes de fazer a licitação para a Grande Florianópolis, é preciso fortalecer o sistema. O executivo, em artigo que a coluna reproduz abaixo, defende cinco pontos para melhorar o transporte coletivo local: Integração tarifária metropolitana; Programa de renovação de frota; Financiamento das gratuidades; Ajustes operacionais na rede e Informação e transparência ao usuário. “O sistema não pode esperar pela licitação, para sofrer melhorias”, disse.

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Leia o artigo do empresário da Biguaçu Transportes:

Preparar o sistema hoje é o melhor caminho para construir uma mobilidade metropolitana mais eficiente amanhã. O transporte coletivo da Grande Florianópolis precisa ser fortalecido antes da licitação

Escrevo estas reflexões não apenas como cidadão da Grande Florianópolis, mas também como alguém que há décadas acompanha, de dentro do sistema, os desafios do transporte coletivo da nossa região.

O transporte coletivo não é uma abstração técnica, pois ele é um serviço público essencial que conecta pessoas ao trabalho, à escola, à saúde e às oportunidades que fazem a cidade funcionar. Todos os dias milhares de trabalhadores, estudantes e famílias dependem desse sistema para viver suas rotinas.

Quem observa o cotidiano da região percebe algo evidente: a Grande Florianópolis já funciona como uma metrópole. Pessoas transitam diariamente entre Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu e municípios vizinhos em uma dinâmica econômica e social completamente integrada.

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A metrópole já existe, o que ainda precisa evoluir é a forma como organizamos o sistema de mobilidade que sustenta esse território integrado.

Nos últimos anos, grande parte do debate público passou a se concentrar na futura licitação do sistema de transporte coletivo. A licitação é, sem dúvida, um instrumento importante para dar segurança jurídica e estabilidade institucional ao serviço, mas não é uma política pública em si, e sim, uma forma de contratação.

Mas quem acompanha o setor de perto sabe que existe uma realidade que precisa ser reconhecida, aonde medidas urgentes se fazem necessárias para melhor qualificar o sistema de transporte.

O sistema não pode esperar pela licitação, para sofrer melhorias.

Esperar que a licitação resolva sozinha, como uma espécie de Panaceia, todos os desafios acumulados ao longo dos anos, não parece ser o caminho mais prudente. Mais do que isso, licitar um sistema fragilizado, com frota envelhecida, demanda ainda em recuperação após a pandemia e estrutura financeira pressionada dificilmente produzirá o melhor resultado para a região.

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Licitar é importante, mas preparar o sistema antes de licitar é ainda mais responsável.

Reconhecimento institucional da natureza metropolitana

Os fluxos diários de deslocamento mostram que as cidades da Grande Florianópolis funcionam como um sistema urbano contínuo.

Planejar o transporte coletivo apenas dentro das fronteiras administrativas de cada município já não corresponde à realidade.

Reconhecer institucionalmente essa natureza metropolitana é o primeiro passo para qualquer política pública eficaz de mobilidade.

Cinco medidas urgentes para recuperar o transporte coletivo da Grande Florianópolis no presente, antes mesmo da licitação

• Integração tarifária metropolitana;

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• Programa de renovação de frota;

• Financiamento das gratuidades;

• Ajustes operacionais na rede;

• Informação e transparência ao usuário.

Os riscos de licitar um sistema fragilizado

• Baixa atratividade para operadores;

• Pressão sobre tarifas ou subsídios;

• Maior risco de instabilidade contratual.

A decisão política que falta

A mobilidade urbana é uma infraestrutura essencial para o funcionamento das cidades. Ela impacta diretamente a qualidade de vida da população e a produtividade da economia.

A Grande Florianópolis possui todas as condições para avançar na construção de um sistema de transporte coletivo mais eficiente, integrado e moderno.

Isso exige, além de visão metropolitana, responsabilidade institucional e disposição para enfrentar os desafios do presente enquanto se planeja o futuro, decisão política consistente das autoridades públicas constituídas, estado e municípios. Já passou da hora de pensarmos a mobilidade da Região Metropolitana de Florianópolis com a mesma dimensão.

A licitação pode organizar o futuro do sistema, mas a responsabilidade com o transporte coletivo começa no presente. Preparar o sistema hoje é o melhor caminho para construir uma mobilidade metropolitana mais eficiente amanhã.

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A Superintendência de Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas de Santa Catarina (Sudesc) retomou o Plano de Mobilidade Urbana da Grande Florianópolis (Plamus/2015) e pretende implementar um sistema de transporte coletivo multimodal e integrado para a região em até cinco anos.