A vinda do ministro dos Transportes, Renan Filho, a Santa Catarina nesta semana foi positiva, pois reafirma a decisão racional de que a solução para o Morro dos Cavalos se dará por meio de dois túneis. O custo da obra — três pistas para cada lado — ficou acima da expectativa. O valor estimado está entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões e deverá impactar o valor do pedágio, mas somente após o início da construção.
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Isso não é um problema, desde que o cálculo seja justo e a obra aconteça dentro do prazo estipulado. A expectativa é de que os trabalhos comecem em cerca de um ano e sejam concluídos em dois (2029).
Colapso na BR-101:
Políticos sempre temem a repercussão negativa de reajustes no pedágio. Caro, porém, é ficar parado em filas. O motorista quer fluidez, boa estrada e preço justo — apenas isso.
A solução dos túneis é a mais sensata, pois há quase dez anos já existem projeto, licenciamento ambiental e a anuência da comunidade indígena. A proposta do chamado Contorno do Morro dos Cavalos, defendida pelo governador Jorginho Mello, é muito mais difícil de ser executada sob todos os aspectos: não há projeto de engenharia, licenciamento ambiental, e os povos originários não concordam. O tempo de espera por um acordo, se é que ele seria possível, não se justifica.
Nesse sentido, a solução encontrada — túnel duplo com ampliação de 23 quilômetros no contrato da Motiva, antiga CCR, para a execução da obra — é inteligente, pois o trecho Sul tem um contrato mais longo, menos intervenções previstas e menor impacto no valor do pedágio.
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Norte
Se há alívio para o Sul, há preocupação para o Norte. A otimização do contrato defendida pelo ministro Renan não resolve o trecho mais colapsado da rodovia. O alerta, baseado em estudo técnico, é da Fiesc. Segundo a entidade, as obras previstas para o período entre 2033 e 2048 são insuficientes para, ao final do contrato ampliado, garantir um bom nível de eficiência e fluidez à rodovia.
Por isso, a entidade defende uma otimização do contrato em 30 anos, e não em 15, com a inclusão de mais obras do que as atualmente previstas, que deverão ser levadas a leilão na Bolsa de Valores.
O tema é sério. A BR-101 não será resolvida com soluções paliativas. Santa Catarina precisa — e merece — obras estruturantes, que tragam segurança e conforto compatíveis com o crescimento econômico e da frota no estado.







