Florianópolis irá se transformar em até cinco anos. Será o período em que os projetos imobiliários oriundos do novo Plano Diretor (PD) estarão sendo entregues. Muitos ficarão prontos antes de 2031. Um dos locais que será transformado é o entorno da Avenida Rio Branco e da Rua Dom Jaime Câmara.

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O empreendimento da RBV Incorporadora, batizado de Monumental, terá 35 andares e aproximadamente 156 metros de altura. A divulgação do prédio cita as facilidades de se ter vários serviços por perto, como colégios, bares, restaurantes, cafés e trabalho. E muito disso poderia ser feito, inclusive, a pé. No mesmo perfil, teremos outros empreendimentos.

É o conceito do urbanista franco-colombiano Carlos Moreno. O modelo de urbanismo parte da premissa de permitir que as pessoas tenham acesso às principais necessidades em trajetos curtos — a chamada cidade de 15 minutos.

O benefício, claro, é para quem mora no bairro. O desafio é o restante da população conseguir fazer os seus deslocamentos diários nesse quarto de hora. A turma dos Ingleses, do Campeche, do Kobrasol e de Palhoça, por exemplo.

A região é conturbada, é tudo uma coisa só. Temos a maior proporção de carros por habitante do Brasil e um transporte coletivo que não atrai.

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O PD, aprovado em 2023, tem a ideia de criar eixos de desenvolvimento, estimular as centralidades nos bairros, organizando o inevitável adensamento populacional da região metropolitana que mais recebe novos moradores no Brasil. Além disso, com a verticalização, torna-se mais viável a oferta de infraestrutura urbana, como coleta de lixo, saneamento básico e transporte coletivo — algo que seria muito mais difícil em uma cidade espraiada e horizontalizada. Isso sem falar que a nova regra cria estímulos à moradia social.

Poder Público

Aí é que está o nosso enorme desafio: o Poder Público acompanhar o mesmo ritmo de desenvolvimento dos projetos imobiliários. O saneamento da região metropolitana patina. Há investimentos, mas não no ritmo esperado. O cenário, nessa área, é emergencial. A cidade precisa discutir com maturidade a solução para onde lançar o efluente tratado. O emissário submarino precisa entrar na pauta, ouvindo quem entende do assunto: engenheiros sanitaristas e ambientais. Enquanto isso, a Casan investe em algo que nem deveria existir mais: a lagoa de evapoinfiltração na Lagoa da Conceição. E a obra da Estação de Tratamento de Esgoto do Rio Tavares não termina nunca.

O setor privado foi estimulado pela oportunidade. Agora é a vez da contrapartida pública.