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Coronavírus em SC: pressão das redes e luz da ciência foram fundamentais no recuo de Moisés

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Por Renato Igor
29/03/2020 - 13h56
(Foto: Divulgação / Secom)
(Foto: Divulgação / Secom)

O recuo de Carlos Moisés na decisão da retomada "gradual e segura" da atividade econômica a partir da próxima quarta-feira (1) tem várias interpretações e cada uma delas faz sentido. É evidente que a pressão da rede social, o movimento de entidades ligadas à academia, ciência e trabalhadores foram importantes para a escolha. Mesmo Santa Catarina tendo sido o primeiro Estado a iniciar o isolamento social , não foi o suficiente para tranquilizar a sociedade. As manchetes de mortes na Europa, o medo nos Estados Unidos e o crescimento dos casos no Brasil não deram clima para uma volta segura. A explicação da falta de infraestrutura na saúde e os equipamentos de proteção individual e os 20 leitos de UTI que o Governo Federal não enviou é a explicação técnica do governo técnico.

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A decisão vai na linha da recomendação da maioria dos especialistas na área.

Destaco de positivo, ainda, a integração entre Estado e prefeitos na tomada de decisão. O problema enfrentado pelo cidadão está antes no município e depois no Estado e no Governo Federal. Santa Catarina, se de fato conseguir integrar as suas ações, dará um grande exemplo ao Brasil. Aliás, já estamos dando. O grupo de trabalho criado pela Associação Catarinense de Medicina (ACM) em parceria com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e Secretaria Estadual da Saúde (SC) é algo comovente, silencioso e que vai trazer benefícios aos catarinenses. Trata-se de um trabalho 100% voluntário que busca, entre tantas ações, arrecadar fundos, viabilizar e consertar respiradores e encontrar soluções tecnológicas no curto prazo para combater o novo coronavírus.

Essa integração entre governo, setor privado e academia é o que pode fazer a diferença. A integração de Moisés com os prefeitos em ação coordenada pode trazer uma logística melhor no enfrentamento à pandemia.

Preocupação

O trabalhador, entretanto, está muito preocupado. A doméstica, o autônomo, o eletrecista, encanador, balconista de loja, garçom, cozinheiro. Aqueles que estão numa faixa de renda em que não são beneficiários do bolsa família mas que, até o momento, não receberam nenhuma ajuda, mesmo após o anúncio do governo federal. Mesmo Santa Catarina sendo um estado com a menor informalidade do país, tem milhares de pessoas que dependem do trabalho do dia para conseguir o dinheiro para a janta.

Vidas em primeiro lugar, claro. A decisão do aumento da quarentena e do isolamento tem respaldo científico. Mas é muito mais fácil falar isso quando a geladeira e o armário estão cheios de comida em casa. Não há solução fácil.

Mas, como precisamos ter esperança de que isso logo passa, alegro-me com o estudo divulgado pela Infomoney.

"Quarentenas podem beneficiar a economia no longo prazo. Na pandemia da gripe espanhola, cidades que agiram mais cedo e com mais força tiveram desempenho econômico melhor".

Que os pesquisadores estejam corretos.

Renato Igor

Colunista

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Apresentador e comentarista na CBN Diário e NSC TV, Renato Igor faz análises e traz as notícias sobre o que acontece em Santa Catarina e o que influencia os rumos do Estado.

siga Renato Igor

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