A delação premiada de Daniel Vorcaro tem potencial para influenciar decisivamente o cenário eleitoral. Como as relações do banqueiro com a classe política são ecumênicas, envolvendo esquerda, direita e centro, todos os espectros ideológicos tendem a ter representantes expostos — muitos deles mais sujos do que pau de galinheiro.

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O conteúdo da delação-bomba ficará, de fato, sob sigilo? A experiência recente indica que haverá vazamentos, provavelmente seletivos. No jornalismo, edição é tudo. No caso do Banco Master, o impacto sobre a percepção do eleitor dependerá diretamente do que vier a público, de quais fatos serão destacados e, sobretudo, de quais personagens aparecerão como protagonistas.

Daniel Vorcaro: do Banco Master à prisão


Quem será o personagem central? O grande vilão da história? Na delação de Vorcaro, quem exercerá o papel de “editor” ao escolher o que será vazado? E, não menos importante: quando esse conteúdo será divulgado? Às vésperas da eleição?

Na política, como no jornalismo, tudo é edição — e o timing dos fatos costuma ser tão relevante quanto os próprios fatos.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que o acordo de delação premiada de Vorcaro seja firmado até junho, justamente para reduzir o risco de interferência no processo eleitoral. A campanha eleitoral tem início oficial marcado para 16 de agosto.

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O precedente é conhecido. A menos de um mês do segundo turno da eleição presidencial de 2018, o vazamento da delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci teve forte impacto político e enfraqueceu a candidatura de Fernando Haddad (PT). Jair Bolsonaro (PSL) venceu a disputa.

Juristas costumam ser categóricos ao afirmar que o ritmo das investigações criminais e dos acordos de delação premiada não deve estar subordinado ao calendário eleitoral. São processos que, em tese, seguem dinâmica própria — doa a quem doer.

Ainda assim, a pergunta permanece: quem será o editor dos vazamentos?