Escândalo do Banco Master revela fragilidade da narrativa governista
Tentativa de atribuir responsabilidades apenas à direita esbarra em personagens e episódios ligados ao entorno do presidente Lula no caso do Banco Master
O início da crise (Caso Master): as investigações da Operação Compliance Zero apontam um esquema de fraudes bilionárias e emissão de títulos falsos para simular solidez financeira na instituição. (Foto: Reprodução, YouTube)
Chega a ser quase constrangedora a tentativa de esquerda, centro e direita de se desvincularem do escândalo do Banco Master. Como já escrevi neste espaço, a vergonheira é coletiva e ecumênica. Ainda assim, na percepção do eleitor — como indicam pesquisas — quem mais sofre desgaste político com o caso é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Continua depois da publicidade
Não por acaso, Lula e seus seguidores tentaram, de forma apressada e pouco eficaz, se descolar do escândalo e empurrar a responsabilidade exclusivamente para a direita. Não colou. E dificilmente colaria.
Daniel Vorcaro: do Banco Master à prisão
1
A ascensão do banqueiro: o empresário Daniel Vorcaro ganhou projeção nacional ao transformar o Banco Master em um dos principais operadores de crédito estruturado e ativos estressados no Brasil. (Foto: Reprodução, Wikimedia Commons)
O início da crise (Caso Master): as investigações da Operação Compliance Zero apontam um esquema de fraudes bilionárias e emissão de títulos falsos para simular solidez financeira na instituição. (Foto: Reprodução, YouTube)
A prisão preventiva: Vorcaro foi preso pela Polícia Federal após o STF identificar indícios de ocultação de patrimônio e tentativas de interferir no andamento das apurações. (Foto: Reprodução, YouTube)
O isolamento e a transferência: o banqueiro foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília após o endurecimento do Judiciário e o avanço de provas consideradas definitivas pelos investigadores. (Foto: Reprodução, YouTube)
O caminho da delação: a assinatura de um termo de confidencialidade marca o início formal das negociações para uma delação premiada que promete atingir figuras do alto escalão em Brasília. (Foto: Reprodução, YouTube)
Pesam contra essa narrativa episódios e personagens incômodos: Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, com seus negócios exóticos e relações pouco transparentes; o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que levou o banqueiro Daniel Vorcaro a uma reunião com Lula fora da agenda oficial no Planalto; e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que prestou consultoria jurídica ao banco.
Some-se a isso o fato de que Guido Mantega, a pedido do senador Jaques Wagner (PT-BA), também atuou como consultor do banco posteriormente liquidado.
Diante desse conjunto de fatos, a tentativa de isolar responsabilidades soa menos como esclarecimento e mais como negação política.