Chega a ser quase constrangedora a tentativa de esquerda, centro e direita de se desvincularem do escândalo do Banco Master. Como já escrevi neste espaço, a vergonheira é coletiva e ecumênica. Ainda assim, na percepção do eleitor — como indicam pesquisas — quem mais sofre desgaste político com o caso é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Não por acaso, Lula e seus seguidores tentaram, de forma apressada e pouco eficaz, se descolar do escândalo e empurrar a responsabilidade exclusivamente para a direita. Não colou. E dificilmente colaria.

Daniel Vorcaro: do Banco Master à prisão

Pesam contra essa narrativa episódios e personagens incômodos: Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, com seus negócios exóticos e relações pouco transparentes; o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que levou o banqueiro Daniel Vorcaro a uma reunião com Lula fora da agenda oficial no Planalto; e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que prestou consultoria jurídica ao banco.

Some-se a isso o fato de que Guido Mantega, a pedido do senador Jaques Wagner (PT-BA), também atuou como consultor do banco posteriormente liquidado.

Diante desse conjunto de fatos, a tentativa de isolar responsabilidades soa menos como esclarecimento e mais como negação política.

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