Santa Catarina vive uma epidemia de furtos. Apesar de os indicadores apontarem para uma queda nas ocorrências criminais, o volume dessa prática ainda ultrapassa os impressionantes 100 mil casos por ano. As vítimas são donos de pequenos negócios, cafés, lojas, restaurantes e também moradores.
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Contribuintes e empreendedores convivem com um sentimento de impotência diante do caos. Há cafés que não conseguem abrir as portas porque marginais levaram o relógio de energia da Celesc. Equipamentos de ar-condicionado são furtados, fios de cobre desaparecem e mercadorias são surrupiadas.
Além da surpresa de se deparar com uma cena deprimente ao chegar ao trabalho, o empreendedor muitas vezes não consegue operar: está sem energia elétrica ou sem mercadoria. A despesa cresce e a receita simplesmente não existe naquele momento. É o pior cenário possível. Chega a ser desanimador empreender diante de tanta adversidade — violência, tributos e burocracia.
Números
Em 2023 foram registrados 110.607 casos. Em 2024, 108.134. Em 2025, 102.717 furtos em Santa Catarina. Em janeiro de 2026, foram 8.576 ocorrências.
Assim como em pesquisas eleitorais, na segurança pública é importante analisar a curva. Esse é o dado positivo: há queda nos crimes. Entretanto, os números absolutos ainda mostram uma epidemia que impacta fortemente, financeiramente e emocionalmente, moradores e empresários.
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Câmeras
A prometida integração, por governos anteriores, das câmeras de videomonitoramento nunca saiu do papel. A gestão atual também pouco avançou. É fundamental incorporar as imagens de condomínios, associações e empresas privadas ao sistema público de monitoramento.
Além disso, é preciso utilizar sistemas inteligentes capazes de identificar padrões de comportamento associados à ação criminosa e disparar alertas às centrais de polícia, permitindo a prevenção do crime. Hoje, as imagens servem muito mais para a materialização da prova do que para evitar o crime.
A tecnologia bem-sucedida utilizada pela Polícia Militar no Carnaval e na Oktoberfest — com câmeras capazes de identificar, por reconhecimento facial, foragidos da Justiça — é um bom exemplo. Que o mesmo caminho seja adotado no caro e ainda pouco eficiente sistema de videomonitoramento eletrônico das cidades.

