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    Há 20 dias sem aulas, crianças carentes enfrentam indefinição sobre merenda escolar em SC

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    Por Renato Igor
    07/04/2020 - 08h21 - Atualizada em: 07/04/2020 - 08h45
    Indefinição sobre merenda escolar em SC (Foto: Diorgenes Pandini / NSC Total)
    Indefinição sobre merenda escolar em SC (Foto: Diorgenes Pandini / NSC Total)

    Sem aulas há 20 dias, milhares de crianças carentes matriculadas nas escolas públicas de Santa Catarina estão sem a principal refeição que elas têm no dia. Com a suspensão das aulas para evitar a proliferação da Covid-19, são 540 mil alunos sem a merenda escolar, sendo que 61.175 estão cadastrados no Bolsa Família (BF).

    Partiu do secretário da Educação de Santa Catarina, Natalino Uggioni, a ideia de pagar via Bolsa Família o valor correspondente à merenda escolar às famílias cadastradas no programa de combate à fome. Seria uma forma simples e ágil de viabilizar a compra de comida. A sugestão foi aceita pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação, que encaminhou a proposta ao Ministério da Educação.

    O Senado, entretanto, aprovou projeto que estabelece a entrega do alimento e não de dinheiro. O texto está para ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo catarinense precisou mudar a estratégia e aguarda a posição de Brasília para, no lugar de repassar o recurso financeiro diretamente às famílias, dar alimentos. São 540 mil alunos na rede estadual, e a expectativa do secretário Natalino Uggioni é, ainda em abril, iniciar a entrega dos kits de alimentos produzidos pela agricultura familiar. Por recomendação do Ministério Público de Santa Catarina, todos os alunos serão beneficiados, mas os cadastrados no Bolsa Família terão prioridade. Integrar a produção da agricultura familiar é medida acertada pois tem, ainda, o ganho de movimentar a economia local.

    O valor mensal é de R$ 4 milhões. A entrega dos kits será feita em 562 escolas espalhadas pelo Estado. O pacote de alimentação será composto por arroz, feijão, farinha, leite UHT, suco integral, biscoitos, entre outros produtos não perecíveis. A Secretaria Estadual de Educação ressalta que a operação só poderá ocorrer após o presidente sancionar o projeto aprovado pelo Senado.

    Crianças passam fome no Brasil. Crianças passam fome em Santa Catarina. Relatório da ONU, em 2019, já indicava que a fome no Brasil, que antes diminuía, voltou a crescer. Agora, com a crise da pandemia de coronavírus, o que era antes uma ameaça, hoje torna-se uma realidade.

    Quem tem fome não pode esperar.

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