nsc
    nsc

    Ambiente

    Poluição na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, não pode ser politizada 

    Compartilhe

    Renato
    Por Renato Igor
    20/05/2020 - 08h12 - Atualizada em: 20/05/2020 - 08h39
    Espuma densa no Canto da Lagoa (Foto: arquivo pessoal)
    Espuma densa no Canto da Lagoa (Foto: arquivo pessoal)

    A briga de versões entre Casan e prefeitura de Florianópolis no caso da espuma densa na Lagoa da Conceição, no leste da ilha, escancara a maneira como historicamente é tratado o saneamento básico. Sem planejamento no longo prazo, com interferências políticas, interesses eleitorais, falta de fiscalização e manutenção de redes.

    A prefeitura diz que a espuma é gerada pelo vazamento de esgoto na rede da Casan. A estatal admite o problema, mas diz que a quantidade vazada é pequena e insuficiente para ter provocado a proliferação de algas e , consequentemente, a espuma densa.

    O Ministério Público investiga. Somente uma perícia independente para apurar as causas e responsabilidades. Comprovando que a origem está na fissura da rede, a responsabilidade é da Casan.

    Mas quem garante que não temos ligações irregulares na Lagoa? Ninguém.

    É fato que as ligações irregulares são uma realidade em Florianópolis. O programa ''Se Liga Na Rede'' apresenta uma média de 50% de ligações irregulares nas fiscalizações, ou mais. Aí é responsabilidade do município.

    A prefeitura aumentou a fiscalização e mais moradores se regularizaram, mas tudo ainda é muito vagaroso e tímido. Precisaríamos de um choque de ordem, com apoio do Ministério Público e Poder Judiciário. Identificar ligações irregulares e dar prazo curto para o morador se regularizar. Não fazendo, viria o lacre e o poder público autorizado a fazer a obra e cobrar no IPTU.

    O fato é que não resolvemos um tema que o primeiro mundo já venceu há 100 anos.

    É inacreditável que ainda estamos discutindo qual é o modelo para o Sul da Ilha, por exemplo. Um debate judicializado há dez anos. Enquanto isso, zero de tratamento para a região Sul e esgoto lançado in natura no meio ambiente.

    Em muitos países de primeiro mundo a questão do saneamento tem zero interferência política. A empresa que faz a gestão do serviço, pública ou não, apenas executa o que um conselho, uma agência técnica decide. A agência é composta por especialistas no tema. Ali são decididas as políticas públicas e como será a gestão e o que será feito. O político não indica nem quem comanda a empresa. Nada é por acaso.

    Veja também:

    Fotos aéreas mostram a mancha de poluição que avança na Lagoa da Conceição

    Deixe seu comentário:

    Últimas do colunista

    Loading...

    Mais colunistas

      Mais colunistas