Todo verão em Florianópolis começa igual: trânsito caótico, praias lotadas, infraestrutura pressionada e uma sequência quase diária de notícias que expõem aquilo que a cidade ainda não conseguiu resolver. Mobilidade deficiente, saneamento incompleto, fiscalização falha e um planejamento que sempre parece ficar para a próxima temporada.

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E, mesmo assim, o verão em Floripa vale a pena.

Veja fotos das principais praias de Florianópolis:

Vale a pena porque, apesar de tudo, a cidade segue oferecendo algo que poucas conseguem entregar com tanta força: natureza exuberante, diversidade de praias, identidade cultural e uma qualidade ambiental que ainda resiste, mesmo sob ameaça constante.

É inegável que Florianópolis não está plenamente preparada para receber o volume de turistas que atrai. O discurso oficial se repete ano após ano, mas a realidade é dura: a cidade cresce, o turismo cresce, e a infraestrutura não acompanha.

Mas reduzir Florianópolis apenas aos seus problemas seria injusto e até preguiçoso. A cidade ainda encanta. Encanta o visitante que acorda cedo para ver o sol nascer no leste da ilha, o morador que insiste em caminhar na praia fora do horário de pico, o surfista que encontra boas ondas mesmo em dias cheios e o turista que descobre que Floripa vai muito além do eixo “praia lotada–engarrafamento–restaurante cheio”.

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O verão vale a pena porque a ilha é plural. Há praias urbanas, selvagens, familiares e esportivas. Há trilhas, lagoas, dunas, gastronomia de raiz e uma herança açoriana que sobrevive no modo de falar, de cozinhar e de viver. Há problemas? Muitos. Mas há também uma cidade que ainda pulsa, apesar do absurdo de se ver o lixo acumulado nas ruas — e da ausência de decisões estruturais, como mobilidade, corredores de ônibus e transporte marítimo.

Vale a pena, inclusive, para escancarar os erros. O verão funciona como um grande raio X de Florianópolis. Mostra, sem maquiagem, onde falhamos como cidade: no transporte coletivo, no ordenamento urbano, no saneamento, na fiscalização e na coragem política.

Talvez seja exatamente por isso que o verão incomode tanto uma parcela considerável dos contribuintes. Mesmo sabendo do retorno financeiro e social inegável trazido pela movimentação turística, muitos moradores têm a percepção de piora na qualidade de vida nesse período e uma clara falta de reciprocidade entre o lucro gerado pela atividade turística e o retorno efetivo para a cidade.

Florianópolis não é perfeita — está longe disso. Mas ainda é especial. E enquanto continuar sendo, o verão, apesar de tudo, seguirá valendo a pena. O turista que passou horas no trânsito, ao colocar os pés na areia e entrar no mar de águas cristalinas, percebe que, no fim, tudo valeu a pena.

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