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Em defesa do emprego de treinador

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Por Roberto Alves
07/12/2019 - 06h25
Sampaoli, técnico do Santos, e Jesus, comandante do Flamengo (Montagem sobre fotos de Magá Jr/Ofotográfico/Folhapress)
Sampaoli, técnico do Santos, e Jesus, comandante do Flamengo (Montagem sobre fotos de Magá Jr/Ofotográfico/Folhapress)

Simpatizante do Fluminense quando jovem, tinha o sonho de ver o tricolor carioca, e de preferência no Maracanã. Pois fui conhecê-los em 1959, ano de título nas Laranjeiras, em time dirigido por Zezé Moreira. Quase todos os jogos o Flu venceu com um mísero gol do centroavante Valdo.

Por que isso? Porque Zezé Moreira, já naquela época, vivia de um sistema defensivo que chamavam de ferrolho. Fez do time a melhor defesa do Brasil com Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Clovis e Altair, mais dois homens à frente, Edmilson e Paulinho, com auxílio do Telê, nosso fio de esperança, como um ponta que fechava o meio-campo.

Por que recordo isso? Para dizer que o futebol brasileiro parece que até hoje vive de retrancas formidáveis, que impedem o que há de melhor em nossos jogadores: a criatividade, o talento, a ofensividade que nos tornou um futebol respeitado pelo mundo afora.

Muitos de nossos técnicos enfeiaram o futebol. Em parte, são vítimas da falta de paciência de dirigentes e torcedores. Jogam por uma bola, dentro de um esquema defensivo que prioriza o emprego. Faltam-lhes ousadia, apostas na qualidade técnica e na individualidade do jogador brasileiro. O medo de perder se sobrepõe à gana de vencer.

Neste momento, estamos sendo humilhados por dois treinadores estrangeiros que esbanjam coragem e jogam para vencer sem medo de ser feliz. São melhores que os nossos? No mínimo, não têm medo de perder o emprego e fizeram os times encantar o país no campeonato nacional.

Sem mercado (ainda)

Jorge Jesus não chega a ser referência no mercado europeu. Tornou-se conhecido no Benfica e nada muito além disso. Pegou um Flamengo reforçado e o tornou uma máquina de jogar bola. Impressionante são os números. Só ele fez mais de 70 pontos desde que chegou, com aproveitamento de 86,31% no Brasileirão.

Conta as horas à espera de uma proposta do mercado dos grandes técnicos europeus. É ousado, corre risco, joga pra vencer e não admite falar em time alternativo ou de transição. Usa o expediente do quanto mais joga, mais entrosamento.

O argentino Jorge Sampaoli ficou conhecido com um ótimo trabalho na seleção do Chile, chegou à Europa e não decolou no Sevilla, afundou com a seleção argentina na Copa de 2018. Pegou o Santos ainda sob a fama do Chile, formou um grupo que comprou a ideia e o levou a disputar a ponta de cima. Sonha também em voltar à Europa, mas pode ficar no Brasil ou até acertar com o Racing, de Buenos Aires.

Mais estrangeiros

O uruguaio Jorge Fossati andou pelo Internacional em 2010. Demitido mesmo após eliminar o Estudiantes nas quartas de final, deixou uma equipe bem arrumada, organizada, que acabou campeã da Libertadores com Celso Roth. Agora, está chegando a vez do ex-jogador e atual técnico do Racing, de Buenos Aires, Eduardo Coudet, acertar com o Inter. Dois profissionais que priorizam a vitória e colocam os times no ataque.

Humilhação

Dentro deste quadro encontramos os técnicos brasileiros em baixa. O campeoníssimo Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes, ambos ex-Seleção Brasileira, ficaram na metade do caminho neste ano.

Razões? A mesmice dos esquemas, a falta de coragem para colocar o time no ataque. A prioridade é garantir o emprego. Técnicos de uma jogada apenas, o superado chuveirinho (bola alta cruzada na área) na tentativa de um erro do adversário.

Toque do Bob

> Falou-se muito que o Brasil veria um novo técnico com ideias avançadas e priorizando o talento do jogador brasileiro: Fernando Diniz. Não deixa o time dar balão e nem fazer ligação direta. Mas resultados, até agora, nada.

> Os técnicos que atuam em equipes médias jogam pelo emprego. Fazem um gol e recuam os times para garantir o resultado. Salvo raras exceções.

> O que influencia muito nossos técnicos é exatamente a postura dos dirigentes, na maioria comandados por torcidas organizadas. Fazem contratações caras e, na terceira derrota, sucumbem à pressão das arquibancadas. A decisão mais fácil é a dispensa do técnico. Esta é uma das razões dos esquemas superdefensivos.

> Em meio à covardia e à mesmice da maioria dos técnicos brasileiros, dois profissionais destoam positivamente. Renato Gaúcho comandou um Grêmio que, em temporadas recentes, venceu e convenceu. Tiago Nunes foi a revelação do ano. Campeão pelo sub-23 do Athletico-PR, fez campanha excelente no time profissional, ao conquistar a Copa do Brasil e ficar entre os melhores do Brasileiro.

> Tite já não é mais unanimidade. Sua grande chance, na Rússia, ele não aproveitou. Tenho dúvidas se chegará até a Copa do Mundo de 2022.

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Referência por resgatar a memória do Esporte catarinense, fatos do dia a dia e pitorescos, misturando bom humor e seriedade na dose certa.

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