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Crônica

Tempos de fake news: país gosta de acreditar em mentiras

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Por Sérgio da Costa Ramos
12/01/2019 - 04h00 - Atualizada em: 12/01/2019 - 04h00
Livro do "Kit Gay", que na verdade, nunca existiu.
Livro do "Kit Gay", que na verdade, nunca existiu.
(Foto: )

Em tempos de fake news, o país gosta de acreditar “nela”. Sabe-se que “ela” faz aniversário no dia primeiro de abril. Mas de onde será que vem essa tradição de se plantar pequenas e grandes mentiras no dia primeiro de abril? Será uma tradição essencialmente brasileira ou universal? Quem, lavrando em puro preconceito, achar que a homenagem nasceu por iniciativa de um político, o “rei” da peta e da mistificação, não estará muito longe da verdade.

Foi o Rei francês Carlos IX quem determinou -  bem antes de Gregório XII, o Papa conhecido pelo seu calendário - que o ano de 1564 não começaria mais pelo mês de abril, como até então acontecia. “Abril” vem do Latim (aperire), abrir. Era o mês que inaugurava o ano – “abria”. A partir de Carlos IX, o primeiro do ano foi antecipado em três meses, passando a ser celebrado em janeiro. E o Réveillon de 1565 pela primeira vez “amanheceu” num dia diferente do primeiro de abril.

Como seria óbvio, a mudança demorou algum tempo para ser “absorvida”. Muita gente ficou perturbada com a modificação desta data tão tradicional e continuou a cumprimentar os conhecidos e as outras pessoas no primeiro dia de abril, contando-lhes “boas novas”. Com o tempo, o primeiro de abril trocou o tradicional cumprimento de “Ano-Novo” por pilhérias, falsas notícias e presentes marotos. “Pregar uma peça” no primeiro dia de abril passou a ser uma diversão popular, um “passatempo”, uma verdadeira mania universal – ultimamente em franca decadência. Para conhecer melhor a “criatura”, fomos encontrá-la em sua luxuosa alcova, mal encoberta por véus sensuais - que insinuam suas formas, sem desnudá-la completamente.

°°°

- Você ainda mora em Brasília?

- Claro. Sou “funcionária-fantasma” ali na Praça dos Três Poderes.

- Você se sente admirada?

- Infelizmente, não. Todos louvam a “Virtude” e me odeiam. Mas, no fundo, acendem velas pra ela, pensando em mim.

- E os políticos, eles te amam?

- Sou muito útil. Mas eles me usam e depois me jogam fora. Mentem pra mim. Pode? Mentem para a própria Mentira...

-  E o que você diria da famosa frase de Bernard Shaw, “A Virtude não passa de uma tentação insuficiente”?

-  É uma verdade.

-  Diz aí uma grande mentira.

-  Os governos sempre prometem “cortar gastos e zelar pelo dinheiro público”. Mas todos eles piscaram um olho pra mim. E a tal Lei de Responsabilidade Fiscal, ó...

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Crônicas que traduzem os sentimentos do catarinense ao tratar da cultura e características de quem vive no Estado. Este espaço deixou de ser atualizado.

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