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Análise política

A relação entre MDB e o governador Moisés 

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Por Upiara Boschi
06/09/2019 - 06h00
Adesão do MDB foi fundamental para que Carlos Moisés (PSL) construísse uma base parlamentar na Alesc. Em troca, deputados do partido mantiveram acesso e intimidade com o poder estadual (Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense)

Faltava pouco para o fim da entrevista que o governador Carlos Moisés (PSL) me concedeu para a nova temporada do programa Cabeça de Político, já disponível no NSC Total, quando chegou à Casa d’Agronômica o deputado estadual Luiz Fernando Vampiro, líder do MDB na Assembleia Legislativa. Está claro que com pouco mais de oito meses, os emedebistas estão à vontade com o comandante.  

Nos últimos dias, dois outros parlamentares do partido gravaram vídeos com Moisés na residência oficial - Romildo Titon e Ada de Luca. Gestos que provocam algum ciúme na bancada pesselista, mas que dão o tom de uma proximidade que há até quem entenda – exageradamente – como aceno a futura filiação. Não é por aí.  

Mas é importante pontuar que a adesão da bancada emedebista, a maior da Alesc, foi vital para que Moisés conseguisse a maioria de 26 ou 27 deputados com que pode contar no parlamento. No primeiro encontro, ainda nas discussões sobre a reforma administrativa, o governador e os emedebistas acertaram o tom dessa adesão. Era o MDB na mesa e, claro, a primeira pergunta envolvia cargos no governo. Ali, Moisés teria enfatizado que essa equação não entraria em jogo.  

A conversa seguiu e as partes se acertaram. O temor em relação aos resultados eleitorais de 2018, com reduções de votação em todo o Estado e para todos os cargos, deixou os emedebistas menos gulosos. Acesso ao governo, possibilidade de ter aceitas indicações de obras, a intimidade do governismo, têm bastado para fechar esse apoio - que não é incondicional, como vimos na questão da taxação dos defensivos agrícolas e da redução dos repasses aos poderes, quando os emedebistas não compraram as brigas do Centro Administrativo.  

Mas há um ponto importante que também possibilita essa relação entre MDB e governo. A bancada estadual ganhou maior protagonismo dentro do partido. Atual presidente do MDB-SC, o deputado federal Celso Maldaner não se mete nessa relação. A bancada federal está descolada, tocando cada um seu projeto - alguns com um pé fora, aliás. Não há, como antes, um vice-governador ou um governador do partido a cobrar rumos e fidelidades. A bancada estadual está solta.  

Foi justamente na Alesc que o MDB sofreu menos os efeitos da Onda 17, mantendo a bancada de nove eleitos. Adaptando-se aos novos tempos e de olho na sobrevivência de suas bases em 2020, os emedebistas aderiram pragmaticamente ao que Moisés poderia oferecer. E recuperaram o livre acesso à Casa d’Agronômica. 

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Upiara Boschi

Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

upiara.boschi@somosnsc.com.br

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