nsc
nsc

Declaração de voto

Apoio a Bolsonaro: Merisio costeava o alambrado há quase um ano

Compartilhe

Upiara
Por Upiara Boschi
28/09/2018 - 05h00 - Atualizada em: 28/09/2018 - 11h39

Gelson Merisio (PSD) criou um fato político ao anunciar na manhã de ontem seu apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) - nome que não tem o respaldo oficial de nenhum dos 15 partidos da coligação que apoia o pessedista ao governo. Confirmado com um vídeo para as redes sociais e vendido como uma posição pessoal para não melindrar aliados, o endosso não surpreende. Merisio vinha costeando este alambrado desde outubro do ano passado.

Na época, em entrevista ao colega Moacir Pereira, ele falou pela primeira vez que poderia apoiar Bolsonaro. Textualmente, o pessedista dizia estar “prestando muita atenção nos movimentos de Ciro Gomes e Jair Bolsonaro” porque “embora em pólos opostos” seriam “os únicos que fazem uma conversa propositiva e reta”. Desde então, Merisio vem testando os efeitos de uma adesão ao presidenciável do PSL - inclusive cogitou convidar o partido para a aliança na época do impasse nas negociações com o PP de Esperidião Amin.

Com a persistência de Bolsonaro na lideranças das pesquisas nacionais e em percentual ainda maior entre os catarinenses - 40% no último Ibope -, Merisio decidiu tentar surfar essa onda ainda sem dono no Estado. Um movimento arriscado política e eleitoralmente. Ao eleitor anti-tudo que o militar reformado reúne, o gesto pode ser oportunista. Aos partidos que cercam Merisio, quebra de acordo.

Das 15 legendas coligadas, cinco apoiam o tucano Geraldo Alckmin (PSD, PRB, SDD, PP e DEM), três estão com Álvaro Dias (Podemos, PSC e PRP), duas com o petista Fernando Haddad (PCdoB e Pros) e uma sigla está com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (PV), Henrique Meirelles (PRP) e João Goulart Filho (PPL), além do neutro PSB. Por enquanto, apenas o Podemos reagiu falando em deixar a tropa, mas o movimento causou feridas em outros aliados, especialmente PCdoB e PDT.

O efeito da posição de Merisio será medido nos próximo dias e nas urnas, dia 7. O Ibope mostra que a maior parte dos eleitores que conquistou até agora são bolsonaristas. O pessedista apostou tudo em não ficar na contramão de uma onda que pode dar uma votação recorde a Bolsonaro no Estado. Merisio não procurou o presidenciável, não mandou emissários. Aposta em similaridade de discurso.

Representantes oficiais de Bolsonaro em SC, os candidatos majoritários do PSL se apressaram em recusar o apoio. Comandante Moisés frisa que é o único candidato do presidenciável. Principal antagonista de Merisio na eleição, Mauro Mariani (MDB) fugiu da polêmica fazendo algo muito raro nesta eleição até agora: chamou o Meirelles. Garantiu que seu voto é do presidenciável do MDB, estagnado na rabeira das pesquisas. Participou do almoço ontem com o deputado federal Rogério Peninha e os bolsonaristas do MDB em Ibirama, mas se preservou da associação. Pelo menos por enquanto. No encontro, os deputados federais Valdir Colatto (MDB) e Jorginho Mello (PR), candidato ao Senado, também confirmaram que votam 17.

Leia também:

Merisio vota 17; Mariani almoça com ala Bolsonaro do MDB-SC

Voto de Buligon sinaliza adesão de Merisio à onda Bolsonaro

Upiara Boschi

Colunista

Upiara Boschi

Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

siga Upiara Boschi

Upiara Boschi

Colunista

Upiara Boschi

Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

siga Upiara Boschi

Mais colunistas

    Mais colunistas